Ginecologia e Obstetricia

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Sintomas de pressão alta na gravidez: quando se preocupar?

Entenda os principais sintomas de pressão alta na gravidez, como dor de cabeça e inchaço. Saiba diferenciar sinais comuns de alertas de emergência e conheça os riscos.
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Equipe Santa Paula - Equipe Santa Paula - Equipe Santa PaulaAtualizado em 19/12/2025

Entenda os sinais que seu corpo emite, diferencie desconfortos comuns de alertas e saiba como proteger sua saúde e a do seu bebê.

Resumo:

  • A pressão alta na gravidez é definida por medições iguais ou superiores a 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação.

  • Sinais de alerta incluem dor de cabeça persistente, inchaço súbito no rosto e mãos, e alterações na visão.

  • A condição pode evoluir para pré-eclâmpsia, um quadro mais grave que afeta múltiplos órgãos e apresenta riscos para mãe e bebê.

  • O acompanhamento pré-natal rigoroso é a principal ferramenta para diagnóstico e manejo da hipertensão gestacional.

  • Ao notar qualquer sintoma preocupante, a comunicação imediata com o obstetra ou a busca por um pronto-socorro é fundamental.

Sentir os pés mais inchados ao final de um dia longo ou ter uma dor de cabeça passageira são experiências comuns durante a gestação. Contudo, quando esses sinais se tornam persistentes, intensos ou vêm acompanhados de outras alterações, podem ser um alerta do corpo para uma condição que exige atenção: a hipertensão gestacional.

O que é considerado pressão alta na gravidez?

A hipertensão gestacional é diagnosticada quando a pressão arterial da mulher atinge ou ultrapassa os 140/90 mmHg ("14 por 9") em duas medições distintas, com um intervalo de pelo menos quatro horas, geralmente após a 20ª semana de gravidez. Essa condição é caracterizada por uma pressão arterial sistólica igual ou superior a 140 mmHg e/ou uma pressão diastólica igual ou superior a 90 mmHg.

Antes desse período, uma pressão elevada pode indicar uma hipertensão crônica preexistente. É fundamental que a pressão arterial seja aferida em todas as consultas de pré-natal. Esse monitoramento contínuo permite ao médico identificar qualquer alteração precocemente, possibilitando um manejo adequado para garantir a segurança da mãe e do feto.

Diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia

Embora ambas envolvam pressão alta, a pré-eclâmpsia é uma forma mais grave da doença. Ela ocorre quando a hipertensão gestacional vem acompanhada de perda de proteína na urina (proteinúria) ou sinais de danos em outros órgãos, como fígado ou rins. É importante saber que, mesmo sem a presença de proteína na urina, o diagnóstico de pré-eclâmpsia pode ser feito em gestantes com pressão alta que apresentem sintomas como dor de cabeça nova e persistente, alterações visuais ou dor intensa na parte superior do abdômen.

A pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, uma emergência médica caracterizada por convulsões. A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia representam as condições hipertensivas mais sérias durante a gestação. Elas exigem tratamentos complexos e resultam nos custos médicos mais elevados em comparação com outras formas de hipertensão na gravidez.

Quais são os principais sinais de alerta?

Muitas vezes, a pressão alta na gravidez pode ser silenciosa, sem sintomas evidentes. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável. Quando os sintomas aparecem, é crucial saber reconhecê-los para buscar ajuda rapidamente.

Sintomas comuns que merecem atenção

Se você apresentar um ou mais dos seguintes sinais, entre em contato com seu médico obstetra para uma avaliação detalhada:

  • Dor de cabeça persistente: Especialmente na nuca ou na testa, que não melhora com analgésicos comuns.

  • Inchaço (edema) súbito: Um inchaço repentino e acentuado no rosto, mãos e pés, que não diminui com o repouso.

  • Alterações visuais: Visão embaçada, pontos luminosos, flashes de luz ou sensibilidade aumentada à luz.

  • Ganho de peso rápido: Um aumento de peso superior a 1 kg por semana, não relacionado à alimentação.

Sinais de emergência: quando procurar o hospital imediatamente?

Alguns sintomas indicam uma complicação grave e exigem atendimento médico de urgência. Procure um pronto-socorro se sentir:

  • Dor abdominal intensa: Uma dor forte na parte superior do abdômen, abaixo das costelas, muitas vezes descrita como uma "dor na boca do estômago".

  • Náuseas e vômitos intensos: Especialmente se surgirem de repente na segunda metade da gravidez.

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar: Sensação de aperto no peito.

  • Diminuição dos movimentos fetais: Se perceber que o bebê está se movendo menos que o habitual.

Por que a pressão arterial sobe durante a gestação?

As causas exatas da hipertensão gestacional ainda não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que estejam relacionadas a um desenvolvimento anormal dos vasos sanguíneos da placenta. Fatores de risco podem aumentar a probabilidade de desenvolver a condição, incluindo:

  • Primeira gestação.

  • Histórico familiar ou pessoal de pré-eclâmpsia.

  • Idade materna acima de 35 anos.

  • Gestação de múltiplos (gêmeos, trigêmeos).

  • Condições médicas preexistentes, como diabetes, doença renal ou lúpus.

  • Obesidade (Índice de Massa Corporal - IMC acima de 30).

Quais são os riscos para a mãe e para o bebê?

O controle inadequado da pressão alta na gravidez pode levar a complicações sérias. O monitoramento médico visa justamente prevenir esses desfechos.

Riscos maternos

Para a gestante, os principais riscos incluem o desenvolvimento de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, descolamento prematuro da placenta, acidente vascular cerebral (AVC) e danos a órgãos vitais como rins, fígado e cérebro. Ter pressão alta na gestação, como a pré-eclâmpsia, pode dobrar o risco de doenças cardiovasculares graves, incluindo AVC, insuficiência cardíaca e até mesmo morte nos dias logo após o parto.

Mulheres que experimentam pressão alta durante a gravidez, incluindo a pré-eclâmpsia, devem considerar essa condição como um fator que aumenta o risco futuro de desenvolver problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.

Riscos fetais

Para o bebê, a hipertensão pode restringir o fluxo de sangue e nutrientes através da placenta. Isso pode resultar em restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer e a necessidade de um parto prematuro. Em casos graves, pode comprometer o bem-estar fetal.

Como a pressão alta na gravidez é diagnosticada e monitorada?

O diagnóstico é feito pela aferição regular da pressão arterial durante as consultas de pré-natal. Se uma leitura elevada for detectada, o médico pode solicitar exames complementares, como:

  • Exame de urina: para verificar a presença de proteínas.

  • Exames de sangue: para avaliar a função renal e hepática, além da contagem de plaquetas.

  • Ultrassonografia com Doppler: para monitorar o crescimento do bebê e o fluxo sanguíneo na placenta e no cordão umbilical.

O monitoramento pode incluir medições mais frequentes da pressão em casa, repouso e acompanhamento médico mais próximo.

O que pode ser feito para controlar a pressão alta na gestação?

O tratamento da hipertensão na gravidez é individualizado e depende da gravidade do quadro e da idade gestacional. As estratégias são sempre definidas pelo médico responsável pelo pré-natal.

Geralmente, o manejo inclui repouso, ajustes na dieta com redução do consumo de sal e, em alguns casos, o uso de medicamentos anti-hipertensivos seguros para a gestação. É fundamental nunca se automedicar, pois alguns remédios para pressão são contraindicados para gestantes.

A comunicação aberta com sua equipe de saúde é a ferramenta mais poderosa. Anote suas dúvidas, relate qualquer novo sintoma e siga todas as orientações do pré-natal. Cuidar da sua pressão é cuidar de duas vidas ao mesmo tempo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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