
Entenda a diferença entre fatores modificáveis e não modificáveis e o papel da prevenção no diagnóstico precoce.
Resumo:
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Os fatores de risco são divididos em não modificáveis (genética, idade) e modificáveis (estilo de vida).
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Histórico familiar e mutações genéticas (BRCA1/BRCA2) são pontos de atenção importantes.
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Obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool aumentam significativamente o risco.
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A história hormonal da mulher, como o início da menstruação e a menopausa, influencia as chances.
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O acompanhamento médico regular e os hábitos saudáveis são as melhores ferramentas de prevenção.
Uma conversa com uma amiga, uma notícia na televisão ou um lembrete para agendar a mamografia anual. Esses momentos podem despertar uma dúvida comum e importante: o que, de fato, aumenta o risco de desenvolver câncer de mama? A resposta não é única, pois a doença é multifatorial.
Compreender esses fatores é o primeiro passo para uma prevenção ativa e um cuidado mais consciente com a saúde. Alguns deles não podemos controlar, como a idade e a genética, mas muitos outros estão ligados diretamente ao nosso estilo de vida. Vamos detalhar cada um deles.
O que exatamente aumenta o risco de desenvolver câncer de mama?
O câncer de mama ocorre quando células da mama começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), não existe uma causa única. O desenvolvimento da doença está associado a uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais, como hábitos de vida (consumo de álcool, tabagismo e sedentarismo) e características hormonais (idade da primeira menstruação e menopausa).
É útil organizar esses fatores em duas categorias principais: aqueles que não podemos alterar e aqueles sobre os quais temos algum controle. Essa distinção ajuda a focar os esforços de prevenção naquilo que é possível mudar.
Quais são os fatores de risco que não podemos mudar?
Estes fatores são inerentes à biologia e história de cada pessoa. Conhecê-los é fundamental para definir a frequência do acompanhamento médico e a necessidade de exames específicos.
Idade e gênero
Ser mulher é o principal fator de risco. Embora homens também possam ter câncer de mama, a incidência é muito rara. Além disso, o risco aumenta significativamente com a idade, especialmente após os 50 anos.
Histórico familiar e genética
Ter um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, principalmente antes dos 50 anos, eleva o risco. Cerca de 5% a 10% dos casos estão ligados a mutações genéticas hereditárias, sendo as mais conhecidas nos genes BRCA1 e BRCA2. Para mulheres com essas mutações, o risco de desenvolver câncer de mama é considerado alto. Nesses casos, a consideração de medidas preventivas mais intensas se torna fundamental.
Atualmente, os modelos de avaliação de risco para câncer de mama estão mais precisos. Eles integram fatores clássicos como histórico familiar, características hormonais e densidade da mama. Além disso, o uso de testes de DNA contribui significativamente para essa precisão.
Fatores reprodutivos e hormonais
A exposição prolongada ao hormônio estrogênio ao longo da vida é um fator relevante. Isso inclui:
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primeira menstruação (menarca) precoce: antes dos 12 anos;
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menopausa tardia: após os 55 anos;
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não ter tido filhos ou ter a primeira gravidez após os 30 anos: a gestação e a amamentação modificam o tecido mamário, podendo oferecer um efeito protetor.
Densidade da mama
Mulheres com mamas densas, ou seja, com mais tecido glandular e menos gordura, têm um risco aumentado. A densidade mamária é uma característica identificada na mamografia e pode, em alguns casos, dificultar a visualização de tumores pequenos.
Condições Mamárias Benignas
Algumas condições não cancerosas da mama também podem aumentar o risco. Se houver um diagnóstico de Doença Benigna da Mama (DBM) com atipia, que são alterações celulares consideradas anormais, mas não cancerosas, o risco de desenvolver câncer de mama pode ser significativamente maior. Mulheres nessa situação podem ter até cinco vezes mais chances de desenvolver a doença.
Quais fatores de risco estão ligados ao estilo de vida e podem ser modificados?
Esta é a área onde a prevenção ativa se torna mais poderosa. Adotar hábitos saudáveis pode reduzir de forma considerável o risco de desenvolver a doença, mesmo em pessoas com predisposição genética.
Sobrepeso e obesidade
O excesso de peso, especialmente após a menopausa, é um dos principais fatores de risco modificáveis. O tecido adiposo é uma fonte de produção de estrogênio, e níveis elevados desse hormônio podem estimular o crescimento de células cancerígenas.
Sedentarismo
A falta de atividade física regular está associada a um maior risco. A prática de exercícios ajuda a controlar o peso, melhora o sistema imunológico e regula os níveis hormonais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana.
Consumo de álcool
A ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo em pequenas quantidades, está diretamente relacionada ao aumento do risco de câncer de mama. O álcool pode alterar os níveis de estrogênio no corpo e danificar o DNA das células.
Tabagismo
O tabagismo é um dos fatores de risco modificáveis mais importantes para a saúde geral. Para mulheres com câncer de mama, o hábito de fumar atualmente, em comparação com nunca ter fumado, pode aumentar a mortalidade por todas as causas em 37%. Deixar de fumar é uma medida crucial para reduzir os riscos associados à doença.
Uso de hormônios externos
A terapia de reposição hormonal (TRH) combinada de estrogênio e progesterona, quando utilizada por mais de cinco anos, pode aumentar o risco. O uso de contraceptivos orais também pode estar associado a um pequeno aumento, que tende a desaparecer após a suspensão do uso. A decisão sobre o uso desses medicamentos deve sempre ser discutida com um médico, pesando os riscos e benefícios individuais.
E o câncer de mama em mulheres mais jovens?
Embora seja mais raro, o câncer de mama pode afetar mulheres com menos de 40 anos. Nesses casos, a influência genética tende a ser mais forte. Os tumores em pacientes jovens costumam ser mais agressivos, o que reforça a importância de conhecer o histórico familiar e não ignorar sinais como nódulos ou alterações na mama, independentemente da idade.
Como a prevenção e o acompanhamento médico podem ajudar?
Entender os fatores de risco não deve gerar alarme, mas sim empoderamento. A informação é a base para tomar decisões mais saudáveis e buscar o cuidado adequado no momento certo.
A importância dos exames de rotina
A mamografia é o principal exame para o rastreamento do câncer de mama, capaz de detectar alterações milimétricas antes mesmo de serem palpáveis. A recomendação geral é realizá-la anualmente a partir dos 40 anos. Contudo, mulheres com alto risco podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme orientação de um mastologista.
Adoção de hábitos saudáveis
Adotar um estilo de vida saudável é uma estratégia poderosa. Isso inclui:
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manter o peso corporal adequado;
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praticar atividade física regularmente;
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limitar ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
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ter uma alimentação rica em frutas, vegetais e grãos integrais.
O acompanhamento médico regular permite uma avaliação individualizada dos seus fatores de risco e a criação de um plano de prevenção personalizado. Converse abertamente com seu médico sobre seu histórico e seus hábitos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.




