Oncologia

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Como Identificar Leucemia: Sinais, Exames e Diagnóstico

Percebendo sintomas como cansaço persistente, manchas roxas ou febre? Entenda como identificar a leucemia, desde os primeiros sinais até os exames de diagnóstico.
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Equipe Santa Paula - Equipe Santa Paula - Equipe Santa PaulaAtualizado em 02/12/2025

Um cansaço que não passa, manchas roxas que surgem sem motivo e febres recorrentes podem ser sinais de alerta. Entenda o que observar e como é a investigação médica.

Resumo:

  • Sintomas comuns da leucemia incluem fadiga extrema, febre inexplicada, perda de peso, manchas roxas na pele e sangramentos anormais.

  • O primeiro passo na investigação é, geralmente, um exame de sangue completo (hemograma), que pode revelar alterações nas contagens de células sanguíneas.

  • A confirmação do diagnóstico exige exames mais específicos, como a análise da medula óssea (mielograma e biópsia).

  • O hematologista é o médico especialista responsável por diagnosticar e tratar a leucemia.

  • Observar sinais persistentes e buscar avaliação médica é fundamental, pois o diagnóstico precoce impacta diretamente o tratamento.

Um cansaço que não vai embora, mesmo depois de uma boa noite de sono. Talvez uma mancha roxa que apareceu na perna sem que você se lembre de ter batido em algo. Esses sinais, muitas vezes vagos, podem ser facilmente ignorados na correria do dia a dia. Contudo, quando se tornam persistentes, merecem atenção, pois podem estar relacionados a condições que exigem investigação, como a leucemia.

A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células-tronco da medula óssea, a "fábrica" do sangue. Ela provoca a produção descontrolada de glóbulos brancos anormais, que perdem sua função de defesa e prejudicam a produção de células saudáveis. Entender os sinais que o corpo emite é o primeiro passo para uma busca por respostas e cuidados adequados.

Quais são os primeiros sinais e sintomas de alerta da leucemia?

Os sintomas da leucemia podem variar conforme o tipo da doença e a velocidade de sua progressão. Geralmente, eles decorrem da falta de células sanguíneas normais, já que a medula óssea está ocupada produzindo células doentes. Os principais sinais podem ser agrupados em categorias.

Sintomas gerais e sistêmicos

Esses sintomas são frequentemente os primeiros a aparecer, mas por serem inespecíficos, podem ser confundidos com outras doenças mais comuns, como gripes ou infecções.

  • Fadiga e fraqueza persistentes: causadas pela anemia, que é a diminuição de glóbulos vermelhos responsáveis por transportar oxigênio.

  • Febre ou calafrios: podem ocorrer sem uma infecção aparente ou como resultado de infecções recorrentes, já que os glóbulos brancos de defesa estão comprometidos.

  • Perda de peso e de apetite: ocorrem de forma não intencional e sem uma causa clara.

  • Suores noturnos intensos: episódios de transpiração que chegam a encharcar a roupa de cama.

Sinais visíveis na pele e sangramentos

A redução no número de plaquetas, células responsáveis pela coagulação do sangue, pode levar a manifestações visíveis e preocupantes.

  • Manchas roxas (equimoses): surgem com facilidade, após pequenos traumas ou mesmo espontaneamente.

  • Pontos vermelhos na pele (petéquias): pequenos pontos, semelhantes a uma picada de alfinete, que não desaparecem quando pressionados, indicando pequenos sangramentos sob a pele.

  • Sangramentos incomuns: podem ocorrer no nariz (epistaxe) ou nas gengivas com frequência e dificuldade para estancar.

Dores e desconfortos físicos

O acúmulo de células leucêmicas na medula óssea ou em outros órgãos também pode gerar sintomas localizados.

  • Dores nos ossos e articulações: a expansão da medula óssea pelas células doentes pode causar uma dor profunda e contínua. A leucemia pode, inclusive, enfraquecer os ossos e afetar a sua renovação. Isso, em alguns casos, leva a problemas como osteoporose, lesões e um maior risco de fraturas.

  • Inchaço dos gânglios linfáticos: caroços indolores podem ser percebidos no pescoço, axilas ou virilha.

  • Aumento do baço ou do fígado: pode causar uma sensação de "inchaço" ou dor no lado esquerdo superior do abdômen.

O que fazer ao notar sintomas suspeitos?

Ao perceber um ou mais desses sinais de forma persistente, o passo mais importante é agendar uma consulta com um clínico geral ou diretamente com um hematologista. É fundamental não se automedicar, especialmente com analgésicos ou anti-inflamatórios que podem mascarar sintomas ou até mesmo agravar sangramentos.

Anote a frequência e a intensidade dos seus sintomas para relatar ao médico. Essa informação é valiosa durante a consulta e ajuda a direcionar a investigação.

Como a leucemia é diagnosticada pelos médicos?

O diagnóstico da leucemia segue um processo investigativo que começa com a suspeita clínica e exames de triagem, evoluindo para testes de confirmação. A jornada geralmente inclui as seguintes etapas.

A primeira pista: o exame de sangue (hemograma)

O hemograma completo é a principal ferramenta inicial. Este exame simples analisa a quantidade e a qualidade das três principais linhagens de células do sangue. Em casos de suspeita de leucemia, o hemograma atua como uma importante linha de frente para detectar a doença precocemente. Ele rastreia alterações na contagem de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, sendo crucial para o diagnóstico inicial.

Um resultado alterado no hemograma não confirma o diagnóstico, mas é um forte indicativo de que a medula óssea precisa ser investigada.

A confirmação: análise da medula óssea

Para confirmar a suspeita levantada pelo exame de sangue, é indispensável analisar diretamente a "fábrica" de células. Isso é feito por meio de dois procedimentos, geralmente realizados juntos:

  1. Mielograma: uma agulha fina é inserida no osso da bacia (crista ilíaca) para aspirar uma pequena quantidade da parte líquida da medula óssea. Esse material é analisado em microscópio para identificar a presença, a quantidade e o tipo de células cancerígenas.

  2. Biópsia de medula óssea: com uma agulha um pouco mais grossa, um pequeno fragmento do osso é retirado para análise da estrutura e celularidade da medula.

Exames complementares para classificar a doença

Após a confirmação, outros testes são necessários para determinar o tipo exato de leucemia, o que é crucial para definir o tratamento mais eficaz. Em crianças e adolescentes com leucemia linfoide aguda (LLA), por exemplo, os médicos medem a Doença Residual Mínima (DRM) após o diagnóstico. Se os níveis de DRM estiverem altos depois do tratamento inicial, isso indica a necessidade de uma terapia mais intensiva para reduzir o risco de recaída da doença. Entre os exames complementares estão:

  • Imunofenotipagem: identifica marcadores específicos na superfície das células leucêmicas para classificar a doença (por exemplo, mieloide ou linfoide, aguda ou crônica).

  • Citogenética e biologia molecular: buscam por alterações específicas nos cromossomos e genes das células doentes, que podem indicar o prognóstico e guiar terapias-alvo.

Existem diferentes tipos de leucemia?

Sim, a leucemia é classificada com base em dois critérios principais: a velocidade de progressão e o tipo de célula afetada. É importante saber que cânceres do sangue, como a leucemia e os linfomas, englobam mais de 100 subtipos distintos de doenças malignas do sangue. Cada um desses subtipos possui taxas de sobrevivência muito diferentes, o que ressalta a importância do diagnóstico preciso e da individualização do tratamento. Essa classificação resulta em quatro tipos principais:

  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA): progressão rápida, afeta células mieloides. A LMA é uma condição séria. Apesar dos avanços nos tratamentos, mais da metade dos pacientes infelizmente não sobrevive. Isso reforça a importância da investigação e do diagnóstico médico rápido para esta forma da doença.

  • Leucemia Linfoide Aguda (LLA): progressão rápida, afeta células linfoides; é o tipo mais comum em crianças.

  • Leucemia Mieloide Crônica (LMC): progressão lenta, afeta células mieloides.

  • Leucemia Linfoide Crônica (LLC): progressão lenta, afeta células linfoides; mais comum em idosos.

Cada tipo possui características, tratamentos e prognósticos distintos, reforçando a importância de um diagnóstico preciso.

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