Você sabe quais são os grupos de risco para o diabetes?

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Endocrinologista do Hospital Santa Paula explica quais pessoas estariam mais suscetíveis à doença

O mês de novembro também é dedicado à luta contra o diabetes, uma doença silenciosa que atinge várias pessoas no Brasil e no mundo. Nesses tempos, nunca se falou tanto em grupo de risco. Mas você sabe quais grupos apresentam mais risco de desenvolver diabetes?

A Dra. Claudia Silva Liboni, endocrinologista do Hospital Santa Paula, aponta quais pessoas estão mais suscetíveis a ter a doença e quem deve fazer testes regulares para rastrear a existência da patologia:

  • qualquer pessoa com o índice de massa corporal (IMC) superior a 25kg/m2, independentemente da idade, que tenha fatores de risco adicionais como pressão alta, níveis anormais de colesterol, estilo de vida sedentário, história de síndrome dos ovários policísticos ou doenças cardíacas;
  • aquelas que têm um parente próximo com diabetes;
  • as que já foram diagnosticadas com pré-diabetes;
  • quem apresenta alterações da glicemia em jejum;
  • mulheres que já tiveram diabetes gestacional – recomenda-se fazer o teste de diabetes a cada três anos;
  • pessoas com mais de 45 anos – recomenda-se fazer um teste inicial de açúcar no sangue e, se os resultados forem normais, a fazer o teste a cada três anos.

“A grande maioria dos diabéticos não sabe que tem a doença, justamente porque não apresenta sintomas, já que sua glicemia (taxa de açúcar no sangue) está pouco elevada. Mas mesmo pequenos aumentos da glicemia a longo prazo podem acarretar inúmeras complicações de saúde. Por isso é importante que seja feito o exame de glicemia de jejum e o de hemoglobina glicada (que vê a média da glicemia dos últimos três meses) naqueles com os fatores de risco pontuados na lista acima. Em alguns casos, a glicemia de jejum pode estar normal ou pouco alterada e a hemoglobina glicada diagnostica a doença”, alerta a médica.

Você sabe o que é diabetes?

Para explicar o que é diabetes, precisamos começar falando sobre insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que é responsável por levar a glicose da corrente sanguínea para dentro das células, onde ela é quebrada para produzir energia, dessa forma, a insulina é totalmente essencial para controlar os níveis de açúcar no sangue de uma pessoa. No entanto, os diabéticos produzem pouca ou nenhuma quantidade dessa substância, ou seja, esse processo não acontece da maneira correta.

“A celebração do Dia Mundial e Nacional do Diabetes é extremamente importante por fazer as pessoas se informarem sobre essa condição prejudicial à saúde e buscarem ajuda médica, caso demonstrem sintomas ou apresentem algum dos fatores de risco para a doença”, ressalta a médica.

Entenda os dois principais tipos de diabetes

A classificação do diabetes mellitus entre tipo 1 e tipo 2 foi proposta, ainda em 1997, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a American Diabetes Association (ADA), e é reconhecida mundialmente nos dias atuais.

  • Diabetes tipo 1

O grande diferencial desse quadro é o fato de envolver o sistema imunológico do paciente, caracterizando-se como uma doença autoimune. Isso porque a causa subjacente do diabetes tipo 1 é justamente um mau funcionamento do sistema imunológico, que acaba identificando as células do pâncreas responsáveis por sintetizar e secretar a insulina (células beta) como estranhas e prejudiciais, e é levado a atacá-las e destruí-las. Assim, o organismo do paciente é incapaz de produzir tal hormônio.

Pessoas que têm histórico familiar de diabetes tipo 1 têm maior chance de desenvolver a doença. Os principais sintomas são: aumento significativo no volume de urina e na frequência de micção; consequente desidratação da pele e das mucosas; sensação constante de sede (polidipsia); fome excessiva (polifagia); perda de peso inexplicável; fadiga e fraqueza muscular; irritabilidade.

  • Diabetes tipo 2

Essa condição é causada, principalmente, pelo excesso de gordura corporal e pela prática de hábitos pouco saudáveis, como o sedentarismo e a má alimentação. É a forma mais frequente de diabetes na sociedade atual e geralmente afeta pessoas a partir dos 40 anos. O paciente obviamente tem um nível alto de açúcar no sangue, mas, em alguns casos, pode não apresentar nenhuma outra manifestação por um longo período, já que a alteração da glicose acontece de forma lenta e gradual.

Os sintomas do diabetes tipo 2 coincidem com os sintomas do tipo 1. Além disso, ainda podem ocorrer: vontade constante de urinar à noite ou de madrugada; cicatrização lenta de cortes e feridas; visão turva; olhos secos; formigamento ou dormência nos pés e/ou nas mãos; infecções frequentes que afetam as gengivas ou a pele; em mulheres, episódios constante de candidíase.

Consequências do diabetes para a saúde

São diversas as complicações do diabetes, que podem ser de curto ou longo prazo (complicações crônicas ou agudas, respectivamente). Veja algumas delas:

Complicações oculares

Por causa da constante perda de líquidos, o cristalino dos olhos costuma sofrer desidratação, e os níveis oscilantes de glicose no sangue também podem fazer com que ele fique inchado, mudando sua forma e flexibilidade, o que pode culminar em visão turva. Outros problemas que podem ocorrer são glaucoma, catarata precoce e retinopatia. Por isso é fundamental que as pessoas com diabetes façam exames oftalmológicos regulares (uma vez ao ano). O diagnóstico precoce e o tratamento correto podem prevenir a cegueira.

Complicações na cavidade oral

Como já citamos anteriormente, diabéticos têm maior risco de desenvolver periodontite, isto é, inflamação das gengivas e dos tecidos de suporte dos dentes. Com o tempo e na falta de um tratamento adequado, essa doença pode causar cáries ou perda de dentes. Uma boa higiene oral pode prevenir sintomas e complicações dentárias, bem como melhorar o controle glicêmico.

Doenças cardiovasculares

Altos valores glicêmicos podem resultar em complicações do coração, como angina (dor ou desconforto no peito); infarto do miocárdio (também conhecido como ataque cardíaco); acidente vascular cerebral (AVC); disfunção circulatória dos grandes vasos sanguíneos periféricos (redução do fluxo sanguíneo para os membros) e insuficiência cardíaca congestiva (fraqueza do coração que leva ao acúmulo de líquido nos pulmões e nos tecidos circundantes).

Falência renal

A manutenção de altos níveis de açúcar no sangue pode danificar os vasos sanguíneos dos rins, causando lesão renal, o que aumenta as possibilidades de perda progressiva e irreversível da função desses órgãos. Esse quadro também é conhecido como nefropatia diabética.

Complicações do sistema nervoso

Nesse caso, os danos ao sistema nervoso são causados ​​pela persistência da hiperglicemia por um longo período de tempo e podem se manifestar em qualquer parte do corpo. A forma mais comum é a neuropatia periférica, que afeta, sobretudo, os nervos sensoriais dos pés. Os sintomas principais são: dor, formigamento e perda de sensibilidade. Por conta disso, o diabético pode se machucar sem perceber, surgindo úlceras que podem levar a infecções que, em alguns casos, conduzem à amputação. Outros problemas no sistema nervoso decorrentes do diabetes também podem causar disfunção erétil (dificuldade em obter e manter uma ereção), danos no sistema digestivo, distúrbios do trato urinário etc.

Novidades no campo dos tratamentos

“Muitas novas opções de tratamento para o diabetes têm surgido nos últimos anos. Algumas são medicações orais, outras são injetáveis; tivemos o desenvolvimento de novas insulinas. Mas o que mais se comenta em 2020 é que temos duas classes de medicação para o diabetes, que, em estudos, mostraram diminuir a mortalidade cardiovascular e ajudar os pacientes que têm insuficiência cardíaca. Por isso, algumas dessas medicações estão sendo usadas, inclusive, por pacientes com problemas cardíacos e que não são diabéticos”, finaliza a especialista em endocrinologia e metabologia.

Fonte:  Dra. Claudia Silva Liboni, endocrinologista do Hospital Santa Paula.