Trombose na perna: sintomas, diagnóstico e como tratar

A trombose na perna é uma doença que provoca a formação de um coágulo (trombo) que pode obstruir os vasos sanguíneos, acometendo, principalmente, as veias das pernas. Quando isso ocorre, há uma dificuldade no retorno venoso para o coração, provocando um acúmulo ou estase do sangue no membro afetado, que vai se traduzir em um inchaço da perna, além de poder se desprender e causar uma embolia. O Dr. Flávio Duarte, cirurgião vascular do Hospital Santa Paula, explica mais sobre o tema.

O que é e quais as causas da trombose?

Caracterizada pela formação de um coágulo no sangue, a trombose pode ocasionar a obstrução total ou parcial dos vasos sanguíneos, principalmente das veias, podendo levar à trombose venosa profunda (TVP), que atinge, na maior parte dos casos, os membros inferiores, sobretudo as pernas. Além dos sintomas de dor e edema no membro, a TVP pode desprender pequenos ou grandes fragmentos de trombos, que ao caírem na circulação, embolizam e vão causar a embolia pulmonar, que pode ser fatal. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante, assim como o acompanhamento médico em caso de suspeita de TVP.

De acordo com o Dr. Flávio Duarte, “a coagulação ou formação de um coágulo é resultado de uma série de reações no organismo que ajudam a reparar uma lesão em um vaso. Quando há uma lesão de um vaso, ou mesmo a perfuração de uma veia para coletar exame de sangue, é a coagulação que faz a reparação do vaso. Para que este processo funcione adequadamente, há uma série de fatores que estimulam e inibem a coagulação. Quando temos um desequilíbrio entre essas duas partes, pode haver a formação de um coágulo maior levando à trombose”.

O especialista explica que o maior risco é a embolização, que pode levar à morte em até 20% dos casos. Mas também, há o risco de sequelas para o membro como a síndrome pós-trombótica, que pode evoluir com edema crônico, dor e aparecimento de feridas.

Entre os motivos mais comuns que facilitam o aparecimento da trombose, estão:

  • Hereditariedade, conhecido como trombofilia;
  • Varizes acentuada;
  • Uso de anticoncepcionais ou tratamento hormonal;
  • Longos períodos sentado, o que provoca estase (estagnação do sangue) nos membros inferiores;
  • Gravidez;
  • Idade avançada;
  • Pacientes com insuficiência cardíaca;
  • Tumores, às vezes a trombose é a primeira manifestação de um câncer ainda não diagnosticado (síndrome paraneoplásica);
  • Obesidade e falta de exercícios físicos regulares;
  • Distúrbios da coagulação sanguínea;
  • Traumatismos, sobretudo nas extremidades inferiores.

Segundo o Dr. Flávio Duarte, “a melhor prevenção é evitar os fatores de risco ou diminuir ao máximo o risco. Podemos fazer isso adotando hábitos saudáveis e atividade física regular, além de realizar uma avaliação com um vascular para se identificar possíveis fatores que possam predispor à trombose. Em pacientes que necessitem ficar longos períodos parados, o uso de meias de compressão é aconselhável, assim como a realização de profilaxia medicamentosa em alguns pacientes com risco elevado”.

Quais sintomas de trombose na perna?

Os sintomas de trombose na perna nem sempre se manifestam, quando ocorrem, os mais comuns são:

  • Dor;
  • Edema (inchaço);
  • Vermelhidão na pele;
  • Cianose quando há um edema mais acentuado (coloração azul arroxeada);
  • Dilatação do sistema venoso superficial;
  • Rigidez da musculatura da panturrilha e dor ao apalpar;
  • Aumento da temperatura local.

Qual exame detecta trombose nas pernas?

O diagnóstico da trombose na perna é feito inicialmente com um exame clínico, com avaliação dos sintomas descritos pelo paciente. A confirmação é feita principalmente por um exame de ultrassom com doppler. O exame de D-Dímero pode dar uma pista do diagnóstico, que também pode ser realizado por meio de exames mais complexos como Tomografia e Ressonância.

Como tratar trombose na perna?

O tratamento da trombose venosa na perna é feito com o objetivo de evitar que o coágulo aumente, ocluindo outros vasos, ou se desprenda e caia na circulação, provocando uma embolia pulmonar. O uso de medicamentos anticoagulantes é essencial para que o médico possa proteger o paciente com trombose, pois ele impede a progressão ou embolização do trombo. Em casos mais graves, que são a minoria, pode ser necessário um procedimento cirúrgico para dissolver ou remover o trombo. É fundamental o acompanhamento médico para indicação de um tratamento adequado e evitar complicações graves decorrentes do tromboembolismo venoso. Um dos exemplos de desdobramentos são alguns tipos de AVC .

De acordo com o médico, “o risco de trombose em pacientes com COVID-19 aumenta muito. Estima-se que possa ser 16 vezes maior nos pacientes internados por COVID-19. Por isso, o uso de anticoagulantes profiláticos está em todos os protocolos de tratamento destes pacientes com forma grave da doença. Os pacientes com forma leve devem ser avaliados para o risco de desenvolver trombose e fazer profilaxia quando indicado”.

O médico ainda destaca que “foi identificado, em raros casos, a formação de trombos após a aplicação de algumas vacinas para o SarsCov2 (COVID-19). São tromboses com mecanismos e locais um pouco diferentes. É importante salientar que este risco é infinitamente menor que o de desenvolver uma trombose por ter contraído uma forma grave de COVID-19. Pacientes gestantes ou de alto risco para TVP devem consultar um médico para orientação quanto a imunização para a COVID-19”.