Tratamento com PSMA-Lutécio: promissor contra câncer de próstata

Método inovador é recente no Brasil

O tratamento com PSMA-Lutécio para câncer de próstata metastático é relativamente novo no Brasil e extremamente promissor. Os resultados apresentados no Congresso Americano de Oncologia (Asco, 2021) mostram que ele é capaz de prolongar a sobrevida desses pacientes. Alguns trabalhos científicos publicados na revista Lancet no início de 2021 já apontaram que esse tratamento é mais eficaz e menos tóxico que a quimioterapia para o câncer de próstata metastático. Antes, os pacientes com câncer de próstata nesse estágio, que resistiam aos tratamentos de bloqueio hormonal, só tinham como opção a quimioterapia.

 

Quando a quimioterapia não funcionava, não existiam outras linhas terapêuticas e, portanto, os pacientes eram encaminhados para os cuidados paliativos exclusivos. Atualmente, os indivíduos que resistem à quimioterapia têm como opção a terapia com o PSMA-Lutécio. Em alguns casos, é até possível que ele substitua a quimioterapia na sequência de tratamentos oferecidos para o paciente com câncer de próstata.

 

Segundo o Dr. Dalton Alexandre dos Anjos, coordenador da Medicina Nuclear e PET/CT da DASA e do Hospital Santa Paula: “A importância do PSMA-Lutécio está no aumento da sobrevida dos pacientes com câncer de próstata metastático resistentes aos outros tratamentos até então disponíveis. O que muda é que, agora, existe mais uma opção de tratamento que, além de tudo, é menos tóxica. Isso significa mais qualidade de vida e mais esperança no combate a essa doença que afeta tantos homens”, explica.

 

Além disso, o médico ainda reforça que, para a medicina nuclear, o tratamento com PSMA-Lutécio representa o que há de mais avançado em medicina de precisão. “Nós estamos falando de uma ‘radioterapia’ que é direcionada diretamente para as células malignas, sem precisar atravessar outros órgão e tecidos do corpo para chegar ao câncer, o que poupa o paciente da toxicidade relacionada com os tratamentos oncológicos tradicionais.”

 

O que é o PSMA-Lutécio?

Trata-se de um peptídeo (pedacinho de proteína) que tem uma forte afinidade por outra proteína, presente em grande quantidade na membrana das células do câncer de próstata. Uma vez injetado na veia do paciente, o Lutécio-177 “caminha” pela circulação sanguínea até as células do câncer e fica grudado nelas.  Ele é um isótopo radioativo que emite radiação beta, que é carregada pelo PSMA até a célula maligna. Uma vez grudado na parede da célula, sua radiação quebra a fita de DNA dos núcleos das células malignas. Esse é o mecanismo pelo qual o PSMA-Lutécio mata as células do câncer de próstata.

 

De acordo com o Dr. Dalton Alexandre dos Anjos, o lutécio é um isótopo radioativo que é carregado pelo PSMA até o câncer de próstata. Por ser injetável e se espalhar pelo corpo pela corrente sanguínea, ele consegue chegar a qualquer lugar onde exista o câncer e suas metástases. A ação dele consiste em matar as células malignas com a radiação beta. “Podemos fazer uma analogia com o cavalo de Troia (PSMA), os soldados gregos (Lutécio-177) e a cidade a ser destruída (o câncer de próstata)”, exemplifica.

 

O médico explica ainda que, para que o tratamento seja realizado, o paciente precisa passar pela avaliação de um médico nuclear. Um exame de PET/CT com PSMA é necessário para demonstrar que as metástases são positivas a esse elemento.

 

O Hospital Santa Paula é um dos poucos centros de referência que realizam a terapia com Lutécio-177 em São Paulo, sendo um dos primeiros hospitais privados a disponibilizar esse tratamento. Os resultados da terapia são muito positivos. Os números, em alguns centros internacionais, apontam para aproximadamente 49% de resposta objetiva, com aumento da sobrevida dos pacientes e melhora da qualidade de vida.

Fonte: Dr. Dalton Alexandre dos Anjos, responsável pela Área de Medicina Nuclear do Hospital Santa Paula.