Tireoidite de Hashimoto tem cura? Quais os sintomas e alimentação indicada?

A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune crônica na qual o sistema imunológico ataca os tecidos do corpo e também a tireoide, responsável pela produção de hormônios que regulam o ritmo do metabolismo. Esta doença provoca uma inflamação lenta e crônica na glândula e acaba por causar o hipotireoidismo, condição caracterizada pela produção insuficiente desses hormônios ou até mesmo a não produção deles. O Dr. Alexandre Bezerra dos Santos, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e coordenador do núcleo de tireoide do Hospital Santa Paula, explica mais sobre o assunto.

O que é a tireoidite de Hashimoto?

A tireoidite de Hashimoto é um processo inflamatório na glândula da tireoide causada por uma reação autoimune, ou seja, o próprio sistema imunológico do corpo ataca as células da tireoide. É o tipo mais frequente de tireoidite e a principal causa de hipotireoidismo no mundo.

O distúrbio é muito mais comum nas mulheres, principalmente em casos onde outras doenças autoimunes estão presentes, como: alguns tipos de diabetes, artrite reumatoide; lúpus eritematoso sistêmico (lúpus) ou síndrome de Sjögren.  O histórico familiar de Hashimoto também é comum.

Segundo o Dr. Alexandre Bezerra dos Santos: “A tireoidite de Hashimoto é a doença autoimune que causa uma incapacidade permanente da tireoide ter sua produção de hormônios adequada. O hipotireoidismo é o resultado deste processo. O Hashimoto em si não causa hipertireoidismo, mas pode causar um aumento temporário da tireoide e de sua vascularização no início do processo, na tentativa de uma autocompensação do organismo. O termo “Síndrome de Hashimoto”, embora algo frequente, deve ser evitado não apenas pela definição específica do termo ‘síndrome” mas também pela descrição original da doença em si”.

Quais os sintomas?

Os sintomas da tireoidite de Hashimoto geralmente começam com o aumento discreto e indolor da tireoide, ou um incômodo no pescoço, mas em geral é absolutamente assintomática. Os sintomas, na verdade, são oriundos não da tireoidite em si, mas do hipotireoidismo que ocorre como consequência da doença.

Os sintomas do hipotireoidismo são muito abrangentes, mas podem incluir: adinamia, intolerância ao frio, aumento de peso, constipação intestinal, tendência depressiva ou sonolência, entre outros.

A tireoidite de Hashimoto tem cura?

Não, segundo o médico, nenhum tratamento é capaz de reverter o quadro autoimune em si. Mas o hipotireoidismo é perfeitamente controlável com a reposição hormonal, de modo que o paciente torna-se assintomático, com vida normal.

Como fazer o diagnóstico?

Inicialmente, “através da história clínica, exame físico e exames laboratoriais ou ultrassom de tireoide”, explica o médico. Ao exame físico, a tireoide pode encontrar-se discretamente aumentada no início do quadro, mas em geral torna-se atrofiada, pequena e endurecida. Além disso, o hipotireoidismo instalado pode ser notado ao exame físico através de manifestações como a “fácies” característica, bradicardia, mixedema pré-tibial, entre outros.

Do ponto de vista de exames complementares, o diagnóstico da tireoide de Hashimoto é feito por meio de exame de sangue, onde nota-se a presença aumentada de autoanticorpos (em especial a anti-tireoglobulina e anti-peroxidase), além da medição dos hormônios tireoidianos em si, em especial o TSH (hormônio tireoestimulante) e o T4 Livre. Alguns achados ultrassonográficos também são característicos, como a heterogeneidade do parênquima e alterações de vascularização glandular.

O médico ainda alerta sobre um ponto: “não podemos nos esquecer de que portadores de tireoidite de Hashimoto também podem apresentar nódulos tireoidianos, que devem ser investigados por médicos, em especial endocrinologistas ou cirurgiões de cabeça e pescoço”.

Como deve ser feito o tratamento da tireoidite de Hashimoto?

Em grande parte dos casos o tratamento dos pacientes com tireoidite de Hashimoto que desenvolve o hipotireoidismo é a terapia de reposição de hormônio tireoidiano que, uma vez indicada, passa a ser por toda a vida. O tratamento tem a capacidade de fazer o paciente ficar absolutamente controlado e confortável.

É recomendado mudar a alimentação?

Não há fatores alimentares relacionados que comprovadamente reduzam o processo autoimune. Porém, especialmente se o paciente apresentou ganho de peso pelo hipotireoidismo em si, um tratamento dietético torna-se imperioso, de modo que um acompanhamento com endocrinologista passa a ser fundamental.

Segundo o Dr. Alexandre Bezerra dos Santos: não há relação direta com alimentação e Hashimoto, mas fatores alimentares devem ser minuciosamente controlados no caso da instalação do hipotireoidismo em si”, explica.