Sintomas de pneumonia e tratamento médico

Saiba quando é necessário procurar ajuda

A pneumonia consiste numa infecção que acomete os pulmões. Com a melhora no reconhecimento e tratamento da doença houve redução significativa das taxas de mortalidade, porém ainda merece cuidados e orientação da população sobre o tema. As pneumonias são causadas por um agente infeccioso e podem ser virais, bacterianas ou fúngicas. O acometimento pulmonar pode prejudicar a oxigenação do sangue e causar queda de saturação e com a evolução do quadro pode evoluir para uma infecção generalizada, hoje chamada de sepse.

Quais são os sintomas da pneumonia?

De acordo com o Dr. Andrei Augusto Assis de Campos Cordeiro, coordenador do serviço de pneumologia do Hospital Santa Paula, “em algumas situações, os sintomas de pneumonia aparecem lentamente, em outras aparecem de maneira repentina. Eles variam de acordo com cada pessoa, dependendo de como se apresenta o sistema de defesa do corpo, da idade ou da presença ou não de doenças associadas. Nos idosos, os sintomas clássicos como tosse com escarro purulento e febre podem não estar presentes.  Deste modo, devemos estar atentos a qualquer alteração do nível de consciência ou alteração do status habitual do paciente”.

Conheça os principais sintomas de pneumonia:

  • Tosse que pode ser com secreção de muco purulento de cor amarelada ou esverdeada, mas também pode ser seca;
  • Febre;
  • Falta de ar;
  • Dor no tórax;
  • Mudanças da pressão arterial – na sepse há queda da pressão arterial;
  • Confusão mental;
  • Mal-estar generalizado;
  • Fraqueza.

Como diferenciar pneumonia de gripe, resfriado e Covid-19?

O médico é o profissional mais apto para fazer o diagnóstico distinto entre as doenças citadas. É importante dizer que caso apresente sintomas leves como coriza e obstrução nasal, com pouca repercussão no estado geral, hoje dispomos de atendimento por telemedicina, uma vez que será difícil o diagnóstico diferencial entre doenças virais no contexto atual da pandemia de coronavírus.

Segundo o Dr. Andrei Augusto Assis de Campos Cordeiro: “somente pelos sintomas é difícil distinguir uma pneumonia viral, incluindo aquela causada pelo SarsCov2, de uma pneumonia bacteriana. Normalmente classificamos os sintomas da pneumonia bacteriana como mais graves e com maior repercussão no estado geral, porém nem sempre isso é real. Além disso, estudos mostram que grande parte das pneumonias são causadas por mais de um agente infeccioso. Sendo assim, para orientação geral buscaremos diferenciar tais sintomas”.

Pneumonia bacteriana – Transmitida pela entrada de bactérias no pulmão, por meio das vias aéreas superiores. Podem ser precipitadas por infecções virais uma vez que tais patógenos causam prejuízos nos mecanismos de defesa do organismo. Podem ser causadas por uma única bactéria, sendo a mais comum o Streptococcus pneumoniae, e podem ser multibacterianas. O não tratamento de uma pneumonia bacteriana pode levar a uma escalada da gravidade dos sintomas, podendo gerar infecção generalizada e óbito.

Os sintomas que podem nos apontar para etiologia bacteriana são:

  • Queda acentuada do estado geral;
  • Tosse com escarro purulento;
  • Febre alta.

Pneumonia viral – Esse tipo pode ser transmitido de pessoa para pessoa por meio de coriza, pela tosse, por secreção ou pelo ar. Pode ser causada por vírus primordialmente patogênico como influenza, vírus sincicial respiratório e metapneumovírus, mas também pode ser causada por vírus colonizadores ou copatógenos rinovírus e adenovírus. O paciente deve se atentar para a piora dos sintomas após uma melhora inicial, o que pode significar, como já dito acima, uma infecção bacteriana secundária.

Sintomas mais comuns que podem ajudar na diferenciação da etiologia em relação à pneumonia bacteriana são:

  • Tosse seca;
  • Febre baixa ou temperaturas subfebris;
  • Dor de cabeça;
  • Dor de garganta;
  • Dor de ouvido.

Resfriado – Ele é causado, na maioria das vezes, por rinovírus.

Os sintomas mais comuns são:

  • Coriza e obstrução nasal – pode ser hialina ou purulenta;
  • Espirros;
  • Mialgia leve;
  • Sensação de gotejamento nasal posterior;
  • Sem queda importante do estado geral.

A gripe, o resfriado comum e mesmo a pneumonia viral podem ser resolvidos mesmo sem tratamento. Devemos ficar atentos à gravidade e evolução dos sintomas e procurar o pronto-socorro sempre que necessário.

Covid-19 – Atinge as pessoas de forma distinta. Em 81% acontece de forma menos grave, sendo até 30% assintomáticos. Aproximadamente 14% dos pacientes desenvolvem formas graves e 5% dos pacientes desenvolvem formas críticas da doença. A mortalidade é por volta de 2,3% dos pacientes totais.

Logo, concluímos que os sintomas mais frequentes são sintomas leves como:

  • Tosse;
  • Dor de cabeça;
  • Dores no corpo – mialgia;
  • Dor de garganta.

Os sinais e sintomas mais graves que devem causar preocupação são:

  • Febre constante;
  • Cansaço;
  • Queda da saturação de oxigênio.

Alguns sintomas menos comuns:

  • Perda de paladar ou olfato;
  • Diarreia;
  • Náuseas e vômitos.

 

Qual o tratamento para pneumonia?

O tratamento da pneumonia deve ser individualizado levando-se em conta a etiologia da doença. Caso seja uma pneumonia bacteriana tratamos com antibióticos que devem ser escolhidos pelo médico. Caso seja viral tratamos com medicações de suporte e sintomáticos, com exceção da pneumonia causada por H1N1, em que há a possibilidade do uso do oseltamivir (Tamiflu) se diagnosticada no início dos sintomas. A definição da necessidade de internação é feita pelo médico, vendo inicialmente a gravidade dos sintomas apresentados pelo paciente, mas também existem alguns escores de gravidade que podem auxiliar nesta decisão. Os principais são o PSI-PORT e o CURB-65. Estes critérios têm como objetivo avaliar a gravidade da doença procurando sinais de sepse e de acometimento de outros órgãos, que geralmente causam maior mortalidade pela pneumonia. Além disso, outros fatores devem ser levados em conta para definição da internação como a possibilidade de uso de medicação por via oral, comorbidades e fatores sociais, por exemplo.

Importante frisar que para aqueles pacientes que não requerem tratamento hospitalar não está indicado o uso de corticoide para tratamento da pneumonia bacteriana.

 

Devo ir ao hospital se estiver com sintomas de pneumonia?

Caso apresente sinais de pneumonia bacteriana o hospital deve ser procurado, uma vez que o tratamento com antibióticos pode ser prescrito apenas pelo médico. Como os sintomas de pneumonia bacteriana e viral se sobrepõem, procure um médico, seja presencial ou por telemedicina, caso tenha dúvidas. Caso apresente sintomas mais sugestivos de infecção viral e que sejam leves, procure atendimento por telemedicina se possível, uma vez que sem o exame específico não há como diferenciar uma infecção pelo SarsCov2 daquela causada por outros vírus. E, neste momento, ainda devemos diminuir as taxas de infecção pela Covid-19.

Como prevenir pneumonia?

Segundo o Dr. Andrei Augusto Assis de Campos Cordeiro: “para prevenção de a pneumonia, estar com imunidade adequada é essencial, entretanto não há fórmula mágica que auxilie no aumento da imunidade. Não é uma indicação de rotina a reposição de vitaminas ou sais minerais, apenas quando há queda dos valores de referência, observada em exames laboratoriais. Uma boa alimentação, rica em frutas, verduras e legumes, a realização de atividades físicas e o bem estar emocional são essenciais para a manutenção da imunidade”.

Pacientes com indicação devem tomar a vacina contra influenza, que sempre inclui o H1N1, anualmente. Existem também vacinas disponíveis contra a pneumonia bacteriana, principalmente contra o pneumococo, principal bactéria causadora da pneumonia adquirida na comunidade. Atualmente dispomos de 2 tipos de vacinas contra tal bactéria. A vacina Prevenar13 deve ser administrada em dose única, não é disponível no SUS e deve ser adquirida em centros de vacinação particular. A vacina Pneumo23 é disponível no SUS, e deve ser  administrada em 2 doses, sendo a segunda dose um reforço após 5 anos da primeira vacinação. Para maior proteção, ambas vacinas devem ser tomadas, e o intervalo mínimo entre elas deve ser de 6 meses. A indicação das vacinas e o melhor esquema de vacinação sequencial deve ser avaliado em conjunto com seu médico.

A vacinação contra a Covid-19 é um tema à parte. Conforme discussão ampla já feita pela sociedade, devemos nos vacinar de acordo com o calendário do nosso grupo etário e presença de comorbidades, com a vacina que estiver disponível. Todas as vacinas autorizadas no Brasil são eficazes na prevenção de formas graves da doença.