Saúde cerebral: a esclerose múltipla não tem cura, mas tem tratamento

Você sabia que, a cada 5 minutos, alguém, em algum lugar do mundo, é diagnosticado com esclerose múltipla?

Nosso sistema nervoso central (SNC) é responsável por integrar as informações sensoriais entre o cérebro e o resto do corpo humano, e responder de acordo. Ou seja, pensamentos, lembranças, sentimentos, ações, coordenações e reflexos – sejam voluntários ou involuntários – são controlados pelo SNC, composto pelo encéfalo e pela medula espinhal. No entanto, existem algumas condições capazes de afetar o pleno funcionamento dessas estruturas e, consequentemente, desencadear uma série de eventos indesejáveis e até mesmo deficiências na vida desse paciente, inclusive havendo chances de fatalidade. Uma delas, bastante conhecida, é a esclerose múltipla (EM).

Afinal, o que é a esclerose múltipla?

Certamente você já ouviu falar sobre essa doença, afinal, estimativas precisas e atualizadas da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) afirmam que atualmente 2,8 milhões de pessoas vivem com EM ao redor do mundo. “Essa condição tem predileção pelo sexo feminino 2-3:1, assim como pacientes jovens adultos, entre 20-40 anos”, ressalta a Dra. Renata Simm, neurologista do Hospital Santa Paula.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica, autoimune, vitalícia e não contagiosa do sistema nervoso central, na qual o próprio sistema imunológico ataca o revestimento que protege os nossos nervos (bainha de mielina), de forma a dificultar e conturbar suas ações, influenciando no desenvolvimento de diversos problemas neurológicos.

O curioso sobre essa condição é que esses sintomas podem aparecer e desaparecer em determinadas fases da vida, ou ainda piorar progressivamente com o tempo. Portanto, se a gravidade for leve, dificilmente se percebem prejuízos na vida cotidiana, por outro lado, em casos mais graves as saúdes física e mental ficam significativamente afetadas.

Como é possível detectar essa condição?

Nem sempre é fácil chegar ao diagnóstico da EM. Isso porque seus sintomas são relativamente comuns e variam amplamente de pessoa para pessoa, podendo afetar qualquer parte do corpo. Os principais sinais que esse paciente apresenta, incluem:

  • Fadiga
  • Dificuldade em caminhar
  • Problemas de visão, como visão turva
  • Problemas de controle da bexiga
  • Dormência ou formigamento em diferentes partes do corpo
  • Rigidez muscular e espasmos
  • Problemas com equilíbrio e coordenação
  • Problemas com pensamento, aprendizagem e planejamento

É importante ressaltar que o fato de uma pessoa apresentar todos esses sintomas não significa obrigatoriamente uma expressão da esclerose múltipla – pois são sinais comuns a outros quadros clínicos. Daí a importância de realizar um rastreamento especializado com um neurologista! Esse médico irá avaliar e investigar todas as causas e desdobramentos apresentados pelo paciente, estabelecendo precisamente a que se devem tais queixas, bem como quais serão seus próximos passos, visando a melhoria da qualidade de vida.

Conheça os tratamentos para esses pacientes

“Nos últimos 10 anos, tivemos a aprovação de 7 novos medicamentos para o tratamento da forma remitente recorrente da esclerose múltipla, e de uma medicação para a forma primária progressiva da doença – até então sem tratamento específico.

O Centro de Infusão do Hospital Santa Paula disponibiliza de todas as medicações endovenosas aprovadas para o tratamento da EM, assim como aplicação de Toxina Botulínica, utilizada para tratar sintomas da doença, como a espasticidade. Temos obtido excelência nos trabalhos realizados com imunomoduladores, imunossupressores e imunobiológicos”, pontua a Dra. Renata Simm.

Sim, é possível viver e ter qualidade de vida mesmo com a EM

Embora a esclerose múltipla seja uma condição que perdura por toda a vida, seu curso pode ser melhorado com a ajuda de opções terapêuticas modernas e, claro, com o apoio do ambiente social que envolve o paciente, ou seja, é possível ter um dia a dia muito positivo através de mecanismos de apoio financeiros, sociais e legislativos.

“É correto afirmar que a esclerose múltipla não tem cura. Mesmo assim, existe a possibilidade de ter uma vida de qualidade, ainda que lutando contra essa doença. Tudo depende de um início precoce do tratamento, fato que conhecemos na Medicina como ‘janela de oportunidade’. Quanto mais cedo esse processo se der, melhor será a resposta do paciente. Escolher a medicação mais indicada para cada caso também é um passo de extrema importância, levando em consideração critérios clínicos e de ressonância magnética”, destaca a especialista em doenças neuroimunológicas e vasculares.

Falando em longevidade e bem estar, a médica alerta ainda sobre a importância do portador de EM tomar alguns cuidados, obrigatoriamente, em seu cotidiano. Em primeiro lugar, obviamente, a total adesão ao tratamento proposto. Além disso, é fundamental interromper o tabagismo, priorizar uma dieta sem excesso de sal, controlar o peso corporal, praticar exercícios físicos regularmente, e buscar sempre reduzir o estresse de um modo geral.

O Hospital Santa Paula disponibiliza atendimento neurológico 24h

Um dos grandes diferenciais do nosso complexo hospitalar é o fato de disponibilizarmos uma equipe de médicos neurologistas durante as 24 horas do dia, para o atendimento de qualquer tipo de emergência ou urgência neurológica – inclusive uma suspeita de esclerose múltipla. No Pronto Atendimento, contamos com profissionais dedicados e totalmente especializados no ramo em questão, além dos mais modernos recursos para diagnósticos precisos e tratamentos de excelência.

Possuímos ainda o Instituto de Neurologia Santa Paula, que oferece consultas marcadas com especialistas, uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neurológica, para casos mais desafiadores, e o Centro de Infusão, com um ambiente exclusivamente direcionado para aplicações de medicamentos por via intravenosa, subcutânea e intramuscular, para os pacientes em questão que apresentarem essa necessidade.

Ressaltamos ainda que o Hospital Santa Paula possui certificação internacional da Joint Commission International (JCI) – maior certificadora em saúde do mundo – como Centro Primário de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Assim, estamos prontos para o atendimento de todos os tipos de patologias neurológicas, desde dores de cabeça e desmaios até as doenças crônicas, como é o caso da EM.

Fonte: Dra. Renata Simm, neurologista do Hospital Santa Paula.