Queimaduras: todo cuidado é pouco durante a quarentena

Você sabia que usar manteiga ou gelo sobre esse tipo de lesão, na verdade, é prejudicial? Confira tudo sobre esse assunto e entenda a forma correta de realizar os primeiros socorros.

O ano de 2020 quebrou expectativas e trouxe inúmeras transformações nas rotinas familiares ao redor do mundo. Diante dos avanços da Covid-19 e do isolamento social, surgiu uma nova configuração de vida, incluindo mais tarefas domésticas e mais tempo em casa, o que também resulta em maior risco de acidentes, principalmente, envolvendo queimaduras.

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), mesmo antes da pandemia, já era sabido que cerca de 70% dos acidentes com queimadura acontecem em casa, e 40% acometem as crianças. O próprio álcool gel 70%, recomendado para a higienização das mãos, de superfícies e embalagens durante esse período, é um produto altamente inflamável quando perto de chamas. Por isso hoje exploramos as vertentes desse assunto, explicando a diferença entre os graus de queimadura e quais são os cuidados necessários imediatamente após um incidente desse tipo.

Afinal, o que são queimaduras?

Queimaduras são danos na pele resultantes dos mais variados fatores, como contato com fogo, líquido fervente, vapor ou objetos muito quentes, correntes elétricas, radiação, luz solar ou outras fontes de radiação ultravioleta e produtos químicos (como ácidos fortes, soda cáustica, diluente ou gasolina). Até mesmo alguns animais e plantas podem causar queimaduras, como larvas, água-viva e urtiga.

“Esse incidente pode ser uma ocorrência simples e de fácil resolução ou pode configurar uma emergência médica com risco de vida, considerando o risco de infecção, desidratação, sangramento e até insuficiência renal (no caso de queimaduras maiores). Tudo depende da área corpórea queimada e da espessura do ferimento”, alerta a Dra. Natasha Sallum, cirurgiã plástica especializada em queimaduras do Hospital Santa Paula.

Queimaduras profundas ou generalizadas podem resultar em complicações como infecções bacterianas, perda de líquidos (inclusive sangue), hipotermia, cicatrizes ou áreas do corpo estriadas, queloides, problemas nos ossos e nas articulações (contraturas) e problemas respiratórios, no caso de ingerir ar quente ou fumaça.

Primeiro, segundo e terceiro graus: qual é a diferença?

Queimadura de 1º grau: esse tipo de queimadura afeta apenas a camada externa e mais superficial da pele (epiderme), podendo causar vermelhidão, calor e dor. Geralmente, pode ser tratada em casa.

Queimadura de 2º grau: essa é mais intensa e afeta tanto a epiderme quanto a segunda camada de pele, a derme. Pode causar dor forte, inchaço e pele vermelha, branca ou manchada. Também podem surgir bolhas, que precisam ser drenadas por uma equipe médica, e cicatrizes.

Queimadura de 3º grau: se a queimadura atinge a camada de gordura sob a pele, ela é de terceiro grau. Nesse caso, a pele fica com cor preta, marrom ou branca. As áreas queimadas podem ficar semelhantes a couro e com dormência, por causa da destruição dos nervos da região pelo agente causador, inclusive, por esse motivo, a queimadura de terceiro grau pode ser indolor, mesmo acometendo todas as camadas da pele. Essa queimadura pode atingir os músculos e causar deformidades graves. Na maioria das vezes, há necessidade de internação hospitalar, pois, em geral, esse tipo de queimadura causa manifestações sistêmicas, como desequilíbrio dos níveis de sódio, potássio e/ou cálcio e desidratação, e, muitas vezes, é preciso retirar os tecidos necrosados e realizar limpeza e enxertos.

 

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O que fazer imediatamente após uma queimadura?

De acordo com a médica especialista, em primeiro lugar, deve-se mergulhar a queimadura em água fria o mais rápido possível, para resfriar a área e aliviar a dor imediatamente após a lesão. Se a roupa do corpo estiver pegando fogo, jogue água para apagá-lo imediatamente e, em seguida, retire ou corte o tecido da área lesionada. Cubra a queimadura com uma gaze estéril ou um pano limpo e seco. “Se o ferimento for mais sério do que uma queimadura superficial (primeiro grau), busque atendimento médico urgente”, complementa a Dra. Natasha Sallum.

Não coloque pasta de dente, manteiga, graxa, pó de café ou qualquer outra substância sobre a queimadura em nenhuma hipótese – “remédios” caseiros podem, na verdade, piorar a lesão. Também não use gelo no local, pois pode atrasar a cicatrização, e não esfregue, para evitar a formação excessiva de bolhas. Não toque a queimadura com as mãos, não tente descolar tecidos ou elementos estranhos grudados na pele queimada e nunca fure as bolhas.

Usar vaselina líquida mantém a queimadura hidratada e protege a região, já sensibilizada, dos raios solares. Se julgar necessário, tome um analgésico. Se a lesão for branda, continue fazendo compressas frias nas próximas horas após a ocorrência.

É possível se prevenir

  • Nunca deixe itens cozinhando no fogão sem supervisão e sempre coloque o cabo da panela voltado para trás.
  • Não segure um bebê enquanto usa o fogão.
  • Mantenha líquidos quentes fora do alcance de crianças e animais de estimação.
  • Deixe os aparelhos elétricos sempre longe da água.
  • Nunca cozinhe com roupas folgadas, que possam pegar fogo.
  • Desconecte os dispositivos que esquentam (ferro de passar roupa, grill etc.) quando não estiverem em uso e guarde-os fora do alcance dos pequenos.
  • Se você é fumante, nunca fume na cama.
  • Tenha um extintor de incêndio em cada um dos andares da casa.
  • Mantenha produtos químicos/inflamáveis, como isqueiros e fósforos, fora do alcance das crianças.

O atendimento emergencial é fundamental nesses casos

É imprescindível levar o paciente a uma emergência hospitalar se a queimadura penetrar em todas as camadas da pele, se a pessoa acometida for uma criança ou um idoso, se a queimadura atingir grandes extensões do corpo e for decorrente de substâncias químicas ou eletricidade e/ou se a pele apresentar uma aparência carbonizada, com manchas brancas, marrons ou pretas.

Tecnologia a serviço da saúde

A cirurgiã plástica especializada do Hospital Santa Paula ressalta ainda que o complexo hospitalar conta com diversas novidades para o tratamento cirúrgico de queimaduras:

  • curativos tecnológicos que permitem trocas mais espaçadas, o que gera menos dor e mais rapidez na cicatrização;
  • matriz dérmica, uma espécie de tecido feito basicamente de colágeno animal, que pode substituir a camada mais profunda da pele, a derme;
  • curativo a vácuo, tecnologia que utiliza uma bomba de sucção associada a uma espuma e filme, resultando na aceleração da recuperação de feridas e queimaduras complexas.

Nosso hospital faz investimentos constantes em novas tecnologias para oferecer o que há de melhor e mais eficaz para a saúde e segurança de nossos pacientes!

Fonte: Dra. Natasha Sallum, cirurgiã plástica especializada em queimaduras do Hospital Santa Paula.

 

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