Que patologias devem ser rotineiramente consideradas na avaliação do idoso?

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“Envelhecer é um privilégio e uma meta da sociedade. Mas também é um desafio que impactará todos os aspectos da sociedade do século 21” – (OMS, 2005)

Vivemos um momento cômico: os jovens brincam sobre se sentirem com mais de 60 anos, enquanto pessoas idosas nem ao menos sentem o peso da idade – até realmente atingirem um estágio avançado de vida. De fato, atualmente, a população da terceira idade vive mais tempo e com mais saúde. Há uma evidente “jovialidade” no comportamento e na mentalidade dos idosos da sociedade atual, que podemos perceber em seus hábitos de consumo. Apesar disso, o processo natural de envelhecimento do organismo humano é inegável e precisa ser mais bem compreendido, afinal, todos nós chegaremos lá um dia, não é mesmo?

Por que os idosos são mais vulneráveis a problemas de saúde?

São muitas as funções orgânicas que sofrem um impacto direto por volta dos 70 anos, fruto do declínio fisiológico que ocorre naturalmente com o passar do tempo. São particularmente afetados a função renal e o sistema imunológico, o que pode favorecer o surgimento de outros problemas de saúde que acabam tornando o organismo mais vulnerável a qualquer tipo de patologia.

Além disso, costuma acontecer a coexistência de múltiplas doenças. Um exemplo relativamente comum é um paciente idoso apresentar, ao mesmo tempo, diagnóstico de hipertensão arterial, obesidade, doenças cardiovasculares e osteoporose. Agora pare para pensar como o corpo humano fica debilitado e sobrecarregado nessa fase da vida.

“Por esses fatores, os idosos, mesmo que saudáveis e independentes, devem ser cuidados por suas famílias. O nível do cuidado vai obviamente variar de acordo com o nível da dependência dele, mas sempre algum grau de apoio deve haver”, pontua a Dra. Maristela Soubihe, coordenadora da Clínica Médica do Hospital Santa Paula.

Felizmente, as doenças que afetavam a longevidade dos idosos já não têm mais os mesmos efeitos devastadores e/ou incapacitantes que costumavam ter nesses pacientes. Hoje em dia, distúrbios antes vistos como fatais, como ataques cardíacos, fraturas de quadril e pneumonia, podem ser mais facilmente tratados e controlados. Com o manejo correto e um acompanhamento médico especializado, muitos idosos conseguem se manter ativos e independentes.

De qualquer forma, a seguir, explicaremos quais são as doenças mais comuns em idosos.

Conheça algumas patologias mais comuns da terceira idade

  • Incontinência urinária

A incontinência urinária varia desde um pequeno vazamento de urina até a perda total do controle da bexiga. O “vazamento” tende a acontecer, sobretudo, durante um espirro, risada ou na prática de exercícios. Apesar de ser um problema extremamente comum, a maioria dos pacientes não pede ajuda profissional, principalmente por sentirem-se envergonhados. É preciso ressaltar que esse quadro muitas vezes pode ser curado ou pelo menos tratado e controlado. O primeiro passo é conversar com um médico especialista!

  • Osteoporose

Com o tempo, existe uma tendência de que os ossos percam gradualmente sua densidade e seus minerais, tonando-se mais frágeis e com maior risco de sofrer uma fratura. No entanto, é possível prevenir a osteoporose, por meio da ingestão de mais cálcio durante o dia. Além disso, siga as recomendações de uma dieta saudável e mantenha os exercícios físicos como prioridade. Obter vitamina D, pelo sol ou pela alimentação, também pode ajudar muito.

  • Acidente vascular cerebral (AVC)

Popularmente conhecido como derrame, o acidente vascular cerebral pode ocorrer em qualquer idade, entretanto, os idosos têm maior probabilidade de serem acometidos pela enfermidade. Seja causado por um coágulo de sangue que obstrui o fluxo sanguíneo para o cérebro, seja pela ruptura de um vaso sanguíneo, esse quadro pode resultar em danos graves ou morte. Os sinais de alerta incluem início súbito de fraqueza ou dormência, confusão, dificuldade para andar, problemas de visão e forte dor de cabeça.

  • Câncer

Sim, o envelhecimento aumenta o risco do desenvolvimento de câncer. Isso porque essa doença envolve a mutação das células ao longo do tempo, e as nossas células têm maior probabilidade de sofrer alterações cancerosas com o avançar da idade. A exposição a longo prazo a agentes cancerígenos ambientais, como produtos químicos ou mesmo os raios solares, também pode elevar as possibilidades de um idoso desenvolver tumores malignos.

  • Doenças cardiovasculares (DCV)

As doenças cardiovasculares incluem patologias cardíacas, derrames e enfermidades dos vasos sanguíneos. Estudos indicam que aproximadamente 70% de homens e mulheres com idade entre 60 e 79 anos sofrem de alguma anomalia desse grupo, e vários fatores contribuem para isso: na terceira idade, o coração tende a funcionar com menos eficiência, por causa do aumento do seu tamanho, do acúmulo de depósitos de gordura e da degeneração das células musculares. Além disso, o envelhecimento afeta o sangue e os vasos sanguíneos. Outros fatores – como o uso de medicamentos em excesso – também contribuem para a deterioração do sistema cardiovascular.

Cuidado com a automedicação!

“Além das doenças elencadas anteriormente, temos uma enorme preocupação com o uso de medicamentos sem acompanhamento médico. Trata-se de uma ocorrência que reconhecemos como extremamente frequente na terceira idade. Indivíduos adoecem tanto pelo uso inadequado de medicações – seja por autoprescrição, seja por erro no manuseio dos remédios prescritos – como pelos efeitos colaterais de fármacos que, muitas vezes, não são reconhecidos e levam a mais prescrições de remédios. Os idosos são o público que mais sofre com as consequências da polifarmácia, muitas vezes tomando remédios para tratar efeitos colaterais de outros remédios. O médico geriatra está preparado para o manejo de diferentes fármacos e, consequentemente, evitar eventos adversos relacionados com essa prática, alerta a especialista do Hospital Santa Paula.

A importância da atividade física nessa fase da vida

Você já sabe que manter boas condições de saúde e de aptidão física é um cuidado imprescindível para combater e prevenir milhares de doenças, além de contribuir para a longevidade e a qualidade de vida. Para o organismo de um idoso, a atividade física é essencialmente importante, sendo uma oportunidade real para fortalecer os ossos, manter os músculos eficientes, trabalhar o equilíbrio, preservar as funções cognitivas e beneficiar o psicológico, além de ser um momento de socialização e integração com outras pessoas.

Quando você deve visitar um geriatra?

A Dra. Maristela Soubihe reforça que o médico geriatra deve ser procurado principalmente a partir dos 60 anos, mesmo que o indivíduo não tenha nenhuma doença e considere-se uma pessoa saudável.

“A detecção precoce de doenças que acompanham o envelhecimento é o principal motivo para se ter um médico de confiança, se possível um geriatra. Mesmo que aceitemos que envelhecer poderá vir acompanhado de doenças crônicas, o arsenal de conhecimento sobre tais doenças e seus possíveis tratamentos fará com que as temidas complicações sejam evitadas a tempo de não impactar na qualidade desse envelhecimento. É outro olhar para defender a tese de que fazer acompanhamento médico contribui para a prevenção das doenças em si, e não só das suas complicações”, conclui a geriatra e coordenadora da Clínica Médica do Hospital Santa Paula.

Ela finaliza alertando aos familiares de idosos que evitem idas desnecessárias ao pronto-socorro, internações médicas e automedicação. “O ideal é que o público da terceira idade tenha um médico de confiança que seja acessível. A qualquer mudança de sensação física, o médico que conhece e já acompanha o idoso deve ser contatado. Esse especialista saberá evitar o agravamento de uma enfermidade já instalada e, consequentemente, uma internação.”

Fonte: Dra. Maristela Soubihe, coordenadora da Clínica Médica do Hospital Santa Paula.