Posso me reunir com alguns amigos na pandemia?

pequenas aglomerações

Pequenas aglomerações podem estar ocasionando a segunda onda no Brasil

A saudade se tornou muito frequente no cotidiano de milhares de pessoas durante o período de isolamento. Elas sentem falta de abraçar, de olhar no olho e de estar perto. E com a flexibilização da quarentena no país, a vontade de se reunir com os amigos e os familiares é grande. Porém, alertarmos que ainda não é o momento para relaxar as medidas de distanciamento e de prevenção à Covid-19.

E para aqueles que acreditam que estão protegidos apenas porque estão usando máscara no dia a dia, a Dra. Cristhieni Rodrigues, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Paula, deixa um alerta: “O uso de máscara reduz a emissão de partículas e do vírus pelas vias aéreas, mas ainda há a possibilidade, embora menor, da contaminação do meio ambiente. O uso inadequado das máscaras, a sua retirada na hora de se alimentar e a falha na higienização das mãos propiciam um ambiente pouco seguro para as aglomerações mesmo que pequenas, como nos encontros nas festas de fim de ano.”.

A reunião com amigos e familiares, assim como qualquer outra interação social, em meio à pandemia, pode levar à disseminação da doença. E mesmo que você esteja seguindo as recomendações de prevenção – como o distanciamento dos demais, a higienização frequente das mãos e o uso de máscara, como comentamos anteriormente –, como pode garantir que os seus colegas estão fazendo o mesmo? Não há garantia!

Entenda o que são as pequenas bolhas

“Recentemente, circularam informações sobre medidas que poderiam chancelar os encontros entre familiares e amigos nas festas de fim de ano. A primeira delas seria a formação de ‘pequenas bolhas’, que consistiriam no encontro de um grupo pequeno de pessoas (máximo 10 indivíduos) que têm contato mais íntimo e fechado e que respeitariam as medidas de quarentena pré-encontro. Nessa estratégia, porém, não há como assegurar que todos vão estar seguindo as recomendações de isolamento, especialmente neste momento, em que o número de casos no Brasil apresentou um aumento expressivo, com baixos níveis de quarentena e altos índices de aglomerações”, pontua a infectologista.

Essas reuniões de pequenos grupos com pessoas que são do nosso círculo de amizade, família ou trabalho possibilitam uma falsa sensação de segurança. O fato é que a maioria das pessoas tem ignorado as recomendações dos profissionais de saúde e marcado encontros em casa, sem seguir as medidas preventivas que evitam o contágio.

Ressaltamos: por maior que seja a saudade e a vontade de estar perto de quem a gente gosta, realizar esses encontros neste momento é uma atitude muito arriscada. É preciso lembrar que, mesmo sem sintomas da doença, é possível transmitir o vírus. E isso se torna muito mais fácil quando se está próximo de pessoas sem máscara e sem realizar o distanciamento social.

Se os convidados fizerem testes da Covid-19 antes do encontro, está liberado?

Não é bem assim que funciona na prática. A especialista do Hospital Santa Paula explica que a comunidade médica não recomenda o uso desses testes por alguns motivos. Primeiro porque, em pacientes sem sintomas, os resultados apresentam altos índices de falso-negativo. Segundo que, no momento da coleta, uma pessoa pode apresentar resultado negativo, mas adoecer nas próximas horas ou dias, induzindo a sensação de falsa proteção e colaborando para a disseminação do vírus a todos os presentes no encontro.

“Vale a pena lembrar que as festas de fim de ano, em especial o Natal, é uma festa da família, em que temos a participação de pais, avós e tios que, sem dúvida, representam a população de maior risco para uma evolução desfavorável do novo coronavírus. Esses motivos são mais do que suficientes para postergarmos os encontros e aguardarmos uma situação mais confortável para celebrar a vida com mais segurança e respeito ao próximo”, complementa.

E se, mesmo ciente dos riscos, eu quiser realizar um encontro com poucas pessoas?

Como já destacamos, pela situação epidemiológica atual do Brasil neste fim de ano, o ideal é evitar os encontros entre amigos e familiares para garantir uma reunião completa e mais feliz no próximo ano. Mas se você ou um familiar tem plena consciência do risco que vai enfrentar, junto com os demais membros da família e/ou de amigos, nossa recomendação é que as festas de fim de ano sejam realizadas apenas entre os membros que residem na mesma casa ou no máximo com 10 pessoas que tenham cumprido uma quarentena de 10-14 dias.

Outras dicas imprescindíveis da Dra. Cristhieni Rodrigues são:

  • o ambiente em que a confraternização vai ocorrer deve ser aberto e arejado;
  • não compartilhar pratos, talheres e copos e evitar deixar os alimentos expostos, por causa do risco de contaminação local;
  • as mesas devem estar afastadas umas das outras e ser compartilhadas somente com quem reside na mesma casa;
  • a máscara só deve ser retirada na hora de comer ou beber;
  • não abraçar, beijar e apertar as mãos;
  • álcool gel deve estar disponível pelos ambientes para higienização constante.

Ressaltamos que essas medidas somente minimizam os riscos de contaminação e que o ideal mesmo é deixar essa celebração presencial para o próximo ano.

Como uma instituição que preza pela saúde, se pudermos deixar uma sugestão para diminuir a saudade entre familiares e amigos, seria marcar um encontro virtual, com música e até amigo-secreto, brincadeiras a distância e um brinde à vida, ao futuro e ao breve encontro presencial.

Mais detalhes sobre a segunda onda do novo coronavírus

Todos esses encontros e pequenas aglomerações têm contribuído para o aumento de casos de Covid-19 no Brasil. Os dados já alertam para uma segunda onda no país.

Segundo a avaliação de especialistas da área, o Brasil está vivendo, assim como os Estados Unidos e a Europa, uma nova onda de contágios, após os casos terem voltado a se intensificar nas últimas semanas.

A notícia boa é que o país já possui uma experiência sobre como lidar com a pandemia e sabe o que se deve fazer para evitar a propagação do vírus. E seguir as medidas preventivas é a única forma de conseguir reverter essa segunda onda.

Dicas para reforçar a saúde mental durante a quarentena

Mas o que fazer quando a saudade aperta ou quando a solidão bate? Depois de longos meses longe de parentes e amigos, muitos têm sofrido com depressão, tristeza, estresse e solidão. Nesse cenário, os meios digitais têm sido uma ótima forma de encurtar as distâncias, mesmo de longe.

Mas caso os encontros virtuais estejam sendo insuficientes para aliviar esses sentimentos, separamos algumas dicas para ajudar a manter a saúde mental neste período:

  • Dica 1: Procure ocupar a mente com o que gosta

Um dos melhores remédios é realizar atividades produtivas no dia a dia e que ocupem a mente. Pense em coisas que façam você feliz e que relaxem, como ver uma série, ouvir música ou cozinhar.

  • Dica 2: Aprenda algo novo

Aprender algo novo é uma forma de exercitar o cérebro e mudar o foco dos pensamentos. Faça um curso ou uma especialização, aprenda um novo idioma ou comece uma tarefa que você nunca imaginou fazer. Que tal iniciar um bordado ou pintura, aprender a tocar um instrumento? Na internet, existem muitos vídeos e aplicativos gratuitos para iniciantes.

  • Dica 3: Pratique atividades físicas

Outra forma de reforçar a saúde mental é cuidar do corpo, pois saúde física e mental estão conectadas. Atividades físicas ajudam a combater o estresse, a ansiedade e os pensamentos negativos. E não precisa ser nada que exija muito do corpo não. Opte inicialmente por pilates, alongamento, ioga ou mesmo subir as escadas. Essas ações também ajudam a relaxar e a esvaziar a mente e podem ser feitas em casa. Há muitos profissionais que estão atendendo on-line.

  • Dica 4: Procure auxílio psicológico

Mas se você já pôs em prática todas as dicas anteriores e, mesmo assim, ainda não sabe como lidar com as suas sensações e sentimentos, a melhor opção é recorrer à ajuda de um especialista. Psicólogos são profissionais capazes de auxiliar as pessoas a lidarem com dúvidas, angústias e incertezas, e muitos desses profissionais estão realizando atendimentos virtuais. Faça a sua parte e cuide da sua saúde e da de quem você gosta. Na dúvida, busque orientação médica.

“É importante cuidarmos da nossa saúde mental durante este momento tão difícil que o mundo está vivendo. Estimule o contato virtual com as pessoas de que você gosta. Lembre-se de que o isolamento refere-se ao contato físico, e não emocional. Leia um bom livro e pratique atividades físicas em ambientes abertos, pois a liberação de endorfina nos proporciona uma boa sensação, algo primordial neste momento. E não perca de vista que tudo isso é passageiro, e o objetivo maior é a proteção de todos nós”, finaliza a Dra. Cristhieni Rodrigues, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Paula.

Fonte: Dra. Cristhieni Rodrigues, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Paula.