O que você precisa saber sobre as causas do câncer de mama e seu diagnóstico

A detecção precoce aumenta as chances de bons resultados ao tratamento

O câncer de mama é o tipo mais comum diagnosticado em todo o mundo e a principal causa de morte entre as mulheres. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), há estimativa de 66.280 novos casos em 2021. Apesar de, na maior parte das ocorrências, afetarem mulheres, mais raramente, cerca de 1%, pode também acometer homens. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura, por isso é importante manter os exames, como a mamografia de rastreamento, regularmente, de acordo com a indicação médica. O Dr. André Perina, mastologista do Hospital Santa Paula, explica sobre a doença, principais sintomas e tratamento.

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama é um tumor formado pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, com potencial de invadir outros órgãos. Essas células defeituosas se proliferam e provocam a formação de nódulo ou caroço na mama, em tecidos vizinhos – axila – ou em outras partes do corpo, as chamadas metástases à distância. A maior prevalência da doença acontece a partir dos 60 anos de idade.

Segundo o Dr. André Perina, as principais causas do câncer de mama e fatores de risco são: predisposição genética, sedentarismo, obesidade, exposição a hormônios e consumo de álcool, explica o médico.

Existem tipos diferentes da doença, alguns se desenvolvem de forma mais rápida, e outros, de maneira mais lenta. Grande parte dos casos, quando tratados em fase inicial e adequadamente, têm chances de bom desfecho.

Quais os primeiros sinais do câncer de mama?

Normalmente, o sintoma mais comum do câncer de mama é o surgimento de um nódulo, na maioria das vezes, duro, irregular e indolor (hiper dor no seio). Mas há também outros indícios que podem ocorrer, tais como:

  • Secreção papilar;
  • Edema cutâneo (na pele), que se assemelha à casca de laranja;
  • Retração do mamilo (afundamento);
  • Hiperemia (vermelhidão);
  • Descamação ou ulceração do mamilo.

Segundo o Dr. André Perina, “a secreção papilar suspeita é aquela que se apresenta transparente ou com sangue”. Além disso, podem surgir gânglios palpáveis na axila. Esses sinais precisam sempre ser investigados por um médico e também podem estar relacionados a doenças benignas na mama, ou seja, podem ou não ser câncer.  

O autoexame é necessário?

O Dr. André Perina explica que: “o autoexame deve ser realizado para a mulher se conhecer, conhecer o seu normal e eventualmente detectar alguma mudança. Mas não deve ser o seu método de rastreamento da doença. Para ser detectado pelo o autoexame, o tumor tem que crescer e ser palpável e esta estratégia não é adequada. A mamografia é o método que vai detectar tumores em estágio inicial”.

Quando devo ir ao médico?

O especialista destaca que: “o início da rotina relacionada às mamas se dá com os ginecologistas gerais. A recomendação seria que a mulher fosse avaliada sobre seu risco e exame físico das mamas a partir dos 25 anos. Porém, é frequente que este contato com o médico ginecologista aconteça antes dos 25 anos, devido a outras orientações relacionadas à especialidade”.

Em relação a queixas específicas da mama, “a consulta com mastologista será necessária diante de qualquer sintoma da mama ou alteração de exame de imagem”, acrescenta o médico.

Qual a periodicidade da realização da mamografia?

Ela deve ser feita anualmente, a partir dos 40 anos. Pessoas com história familiar e estudos genéticos podem antecipar este início.


Como diagnosticar câncer de mama?

Quando é observado algum nódulo ou outro sintoma nas mamas, este deve ser examinado o quanto antes, procure um mastologista. Além do exame clínico das mamas, podem ser recomendados exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. O diagnóstico do câncer de mama, no entanto, só é feito por meio de uma biópsia, quando é retirada uma parte da lesão ou nódulo suspeita, e ele é analisado por um patologista. A remoção desse fragmento é feita preferencialmente por agulhas grossas e guiadas por imagem.

A detecção precoce tem o objetivo de identificar o câncer de mama em estágios iniciais. Isso é atingido através do rastreamento. O diagnóstico precoce proporciona uma terapia mais simples e efetiva. Em relação ao rastreamento, esta é uma medida direcionada à população que não apresenta sintomas da doença, com o intuito de descobrir o câncer ainda na fase mais precoce.

Qual o tratamento para o câncer de mama?

Os avanços no tratamento do câncer de mama são cada vez maiores. Isso acontece devido ao maior conhecimento que se tem sobre as doenças e os avanços na oncologia. O tratamento do câncer de mama varia de acordo com a fase em que a doença se encontra, chamado estadiamento, e do tipo do tumor. Entre as terapêuticas que podem ser indicadas, estão: a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, a hormonioterapia e as chamadas terapias-alvo. Quanto antes o diagnóstico e o tratamento forem realizados, maior a possibilidade de cura. Em casos mais avançados e caso exista a metástase, o tratamento pode melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida do paciente.

No Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama, valorize o cuidado com a saúde, realize exames de rotina.