No caso de sintomas cardiovasculares, é fundamental procurar um hospital, mesmo em meio à pandemia

A falta de auxílio e tratamento médico imediato pode agravar o quadro de diversas patologias, daí a importância de buscar ajuda médica

Estima-se que 14 milhões de brasileiros sofram com alguma doença cardíaca. Essa estatística reforça a importância de não abandonar nenhum tratamento ou procurar ajuda médica caso a pessoa passe mal ou apresente algum sintoma, mesmo diante da pandemia.

Segundo o Dr. Fabrício Assami, cardiologista do Hospital Santa Paula, é importante ficar atento aos principais sinais como dor ou sensação de vibração no peito, batimentos cardíacos acelerados de forma anormal ou insuficiência respiratória. Esses sintomas podem sugerir infarto ou acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame, sobretudo nos pacientes com histórico de doença cardiovascular ou seus fatores de risco, como diabetes, hipertensão, tabagismo, história familiar de doença cardíaca ou colesterol elevado.

“A avaliação médica periódica é fundamental para orientação e ajuste de medicações, assim como o controle da patologia, por meio de exames complementares”, afirma o médico.

No Brasil, dos casos confirmados de Covid-19, até fevereiro de 2020, 40% deles apresentavam alguma anomalia cardiovascular ou cerebrovascular prévia. Além disso, 6,7% dos pacientes manifestaram arritmia e 7,2%, uma lesão no miocárdio.

É fundamental garantir atendimento eficiente a qualquer enfermidade cardiovascular. “Se houver necessidade, não hesite em procurar nosso pronto-socorro. Estamos prontos para atendê-los com segurança e eficiência, garantindo diagnóstico rápido e preciso, de forma individualizada, protegendo você ou quem você ama da Covid-19”, diz o cardiologista do Hospital Santa Paula.

Recomendações devem ser seguidas, mas, no caso dos cardiopatas, é preciso redobrar os cuidados

Como ainda não há nenhuma medicação ou vacina contra a Covid-19, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovou algumas medidas já bastante conhecidas para se proteger e evitar a propagação da doença, sendo o isolamento social um dos principais meios para controlar a disseminação do novo coronavírus. Como resultado imediato dessa mudança de comportamento e mentalidade, alguns dados vêm preocupando a comunidade médica, desde o reconhecimento da pandemia, em relação a esse grupo de risco.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista divulgou uma queda expressiva de mais de 70% do total de angioplastias coronárias realizadas entre março e abril de 2020, em comparação com o mesmo período no ano passado.

Nesse sentido, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo destacou uma redução de 50% nas angioplastias primárias em pacientes com infarto do miocárdio. Essas porcentagens não indicam menor incidência das doenças cardiovasculares na população, mas refletem que os portadores dessas patologias estão deixando de procurar as unidades hospitalares por medo de contaminação pelo novo coronavírus.

“Esse assunto é de fundamental importância, já que tal comportamento pode aumentar, de forma exponencial, o risco para o paciente, uma vez que, ao decidir ir ao hospital, seu quadro clínico pode ter se tornado muito mais grave ou, no caso de infarto ou acidente vascular cerebral, pode-se perder um tempo crucial para o tratamento ideal, aumentando, assim, o risco de complicações, inclusive de morte”, pontua o Dr. Fabrício Assami Borges.

“Nossa equipe de cardiologia está preparada para orientação virtual e, quando possível, em determinados casos, para o atendimento por teleconsulta. Porém, quando a consulta presencial for necessária, é importante entender que, uma vez tomadas as precauções, o risco da não avaliação pode ser maior do que a contaminação pela Covid-19. Converse com seu médico sempre para individualizar a situação”, orienta o cardiologista do Hospital Santa Paula.

Como o novo coronavírus afeta o coração?

A Covid-19 também atinge o coração – dos casos confirmados no Brasil, até fevereiro de 2020, 40% apresentavam alguma patologia cardiovascular ou cerebrovascular prévia. Além disso, 6,7% dos pacientes manifestaram arritmia e 7,2%, uma lesão no miocárdio.

Ainda segundo o Dr. Fabrício, o acometimento do coração pode ocorrer de diferentes formas: desde uma agressão direta pelo vírus, por meio da intensa ativação do sistema imunológico – que ainda pode ser secundário, em razão da acentuada sobrecarga imposta ao sistema cardiovascular nos quadros graves de infecção -, até pela hipóxia, isto é, queda da oxigenação do sangue, que ocorre nesses casos. Dessa forma, pode ocasionar arritmia, enfraquecimento do músculo cardíaco (insuficiência cardíaca) e até mesmo infarto, pela sobrecarga e inflamação nos vasos sanguíneos.

“Outra causa importante que pode atingir o sistema cardiovascular é a toxicidade de medicamentos. Por isso é tão importante que o uso de drogas para ‘tratar’ a Covid-19 passe por um rigoroso processo de pesquisa clínica, para garantir não só seu efeito benéfico, mas também a segurança da medicação. Muitos serviços médicos no mundo, incluindo o Hospital Santa Paula, estão focados nesse objetivo, porém, até o momento, não há nenhuma terapia que tenha se mostrado segura e eficaz no combate a essa doença. Vale ressaltar que isso não é uma opinião pessoal, é um consenso  embasado nas recomendações das maiores e mais sérias sociedades médicas, incluindo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, cuja indicação de tratamento foi atualizada em 18 de maio de 2020”, ressalta o cardiologista.

Ainda de acordo com o médico, todo esse processo descrito pode ocorrer tanto em pessoas saudáveis como naquelas que já apresentam doença cardíaca prévia – como insuficiência cardíaca, arritmias ou infarto. Os cardiopatas já manifestam um comprometimento da função do coração, dessa forma, qualquer agressão adicional ou sobrecarga pode ter efeitos ainda mais devastadores no órgão, por isso, são considerados o grupo de maior risco.

A importância de adotar fluxos separados para pacientes com diferentes quadros de enfermidade

O Hospital Santa Paula criou vias especiais de atendimento justamente para garantir aos pacientes sem diagnóstico de Covid-19 a continuidade de seus tratamentos, reduzindo os riscos associados a esse novo cenário pandêmico, afinal, o temor do ambiente hospitalar em virtude do novo coronavírus pode expor os cardiopatas a riscos de saúde muito maiores, podendo ser, inclusive, letais, no caso de ausência ou demora no atendimento médico.

“Nosso hospital desenvolveu um processo de atendimento em que os pacientes com sintomas respiratórios são atendidos com fluxos distintos de outras doenças, reduzindo, dessa forma, sua exposição e o risco de contágio. Uma vez necessária a internação, os pacientes cardiológicos são direcionados para as áreas chamadas de ‘verdes’, ou seja, áreas em que quem está com suspeita ou confirmação de Covid-19 não é admitido. Assim, alocamos recursos especializados para pacientes positivos para o novo coronavírus e também para os casos cardiológicos de forma distinta e eficaz, sem o risco de contaminação cruzada dentro do hospital”, finaliza o Dr. Fabrício.

Fonte: Dr. Fabrício Assami, cardiologista do Hospital Santa Paula.