Mitos e verdades sobre o câncer de mama

Confira o que você sabe sobre esse assunto tão importante para as mulheres

Nem todo mundo sabe, mas o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum em todo o mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele. O aumento no número de casos se deu em dois momentos ao longo dos últimos anos: o primeiro quando houve um incremento no diagnóstico, após a instituição de exames de rotina, nos anos 1980; o segundo, atribuído ao uso indiscriminado de terapias de reposição hormonal, na década de 1990.

Hoje podemos afirmar que a incidência se mantém com certa estabilidade. “Alguns países notam pequenos aumentos atribuídos ao maior número de obesos na população e outros observam pequenas quedas na incidência atribuídas ao menor uso da terapia de reposição hormonal”, explica o Dr. André Perina, coordenador da equipe de cirurgia oncológica e mastologia do Hospital Santa Paula.

Em maio, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, reiterou uma previsão de 66.280 novos casos para 2020. Por isso, é tão essencial falar sobre esse assunto.

O que é câncer?

O câncer ocorre em função de alterações do DNA (a “central de comando” da célula). De maneira simplificada, é o crescimento desordenado das células. “À medida que sofrem alterações, tais células adquirem a capacidade de migrar, através da circulação linfática e/ou sanguínea, atingindo outros órgãos e tecidos. É justamente essa capacidade de atingir regiões distantes de sua origem que define a classificação do tumor como ‘maligno’”, explica.

Confira os principais mitos e verdades sobre o câncer de mama

Mito: o câncer de mama só acomete as mulheres acima dos 50 anos

A afirmação é falsa, afinal, mulheres mais jovens também estão sujeitas a essa condição. A maior incidência acontece a partir dos 50 anos, porém, a recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é a realização da mamografia de rastreamento anual a partir dos 40 anos. Em determinadas situações (predisposição genética, por exemplo), o rastreamento é iniciado antes dessa idade, quando são acrescentados outros exames para complementar a investigação. “Entre os fatores de risco comportamentais envolvidos estão sedentarismo, obesidade e exposição a hormônios femininos”, destaca o médico.

Verdade: a maioria dos nódulos mamários é benigna, e não cancerígena

De fato, são inúmeras as possibilidades de uma pessoa desenvolver alterações mamárias que não sejam malignas, ou seja, que não se espalhem para outros locais. São exemplos: as fibroses, os cistos simples, as adenoses, as mastites focais e os muito comuns fibroadenomas, entre outras condições.

A maioria não demanda cirurgia para retirada, no entanto, alguns nódulos, apesar de benignos, representam uma condição de alto risco para câncer. Por isso, se você apresenta qualquer protuberância ou alteração mamária, é imprescindível buscar a avaliação de um profissional de saúde para determinar se é benigna ou maligna e se pode oferecer risco de desenvolver câncer.

Mito: o câncer de mama sempre aparece como um caroço

Um nódulo é apenas uma das formas de o câncer de mama se manifestar no corpo humano. Em primeiro lugar, é importante entender que nem todas as pacientes vão apresentar sinais ou sintomas característicos, sendo a maioria dos casos totalmente assintomática em seus estágios iniciais – daí a importância de realizar a mamografia pelo menos uma vez no ano, para evitar o diagnóstico em estágios avançados, inclusive com metástase (quando o tumor já se espalhou para outros órgãos, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro).

Além disso, muitas vezes, uma indicação de câncer de mama é a presença de microcalcificações agrupadas, somente observadas na mamografia. Outros sintomas podem ser retração da pele ou da aréola, vermelhidão, descamação da aréola e assimetria de forma geral.

Verdade: existe cura para o câncer de mama

Sim! O câncer de mama em estágio inicial pode ser curado na maioria dos casos.

“O diagnóstico precoce é a principal condição para o sucesso do tratamento. No caso específico do câncer de mama, o objetivo é sua identificação antes que o tumor possa ser palpado. Assim, vale lembrar que o autoexame como o único método de cuidado não é a melhor estratégia. A mamografia anual a partir dos 40 anos é muito importante e diminui o risco de morte pelo câncer de mama”, destaca o Dr. André Perina.

O Outubro Rosa é o mês dedicado à lembrança e valorização desse objetivo, por meio da conscientização da importância dos exames de rotina. Nos estágios iniciais, as chances de cura podem superar os 95%. Grandes avanços no tratamento dessa condição foram feitos nos últimos anos e, felizmente, hoje, as perspectivas são muito mais promissoras do que costumavam ser antigamente. O tratamento pode incluir quimioterapia, radioterapia, cirurgia, hormonioterapia e imunoterapia.

Mito: existe prevenção total para o câncer de mama

O Ministério da Saúde afirma: “A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados com o surgimento da doença e do fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles considerados modificáveis.”. De fato, a ciência ainda não comprovou nenhuma forma de impedir completamente o desenvolvimento do câncer de mama no corpo humano. No entanto, existe uma série de comportamentos agregados que podem ajudar a diminuir a ocorrência do quadro. Citaremos os principais no item abaixo.

Verdade: um estilo de vida saudável pode ajudar a evitar diversos cânceres, inclusive o de mama

Você sabia que por meio de fatores como alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% as chances de desenvolvimento do câncer de mama? Embora alguns motivadores não possam ser evitados, como o histórico familiar e o envelhecimento, você pode se manter devidamente saudável e longe de inúmeras comorbidades, que geram um impacto negativo no corpo, ao seguir alguns passos básicos: mantenha um peso corporal adequado; priorize a cada dia alimentar-se de forma equilibrada e variada; realize exercícios físicos regularmente; evite a ingestão exagerada de álcool; não fume; se for possível, amamente seus filhos; pondere com seu médico a real necessidade e os métodos de terapia de reposição hormonal e de contracepção.

Se você apresentar alterações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2, converse com seu médico sobre outras maneiras de reduzir o risco de ter a doença.

Mito: somente as mulheres podem ser afetadas pelo câncer de mama

Todos os seres humanos nascem com uma pequena quantidade de tecido mamário. Por isso, considerando que o câncer de mama ocorre quando algumas células da mama se dividem mais rapidamente do que as células saudáveis, e tanto os homens quanto as mulheres apresentam essa estrutura, é fato que o público masculino também pode desenvolver essa condição, na proporção de 1 homem a cada 100 casos nas mulheres.

Faça sua mamografia ainda este ano!

O especialista em cirurgia oncológica e mastologia deixa um recado para as leitoras que ainda não realizaram uma mamografia em 2020: “Entendemos que a pandemia da Covid-19 provocou interrupção nos exames de rotina, mas se você vive em uma região em que as autoridades permitiram a flexibilização, retome seus exames. Existe a preocupação de mastologistas e oncologistas a respeito da ocorrência do aumento dos diagnósticos tardios. Não deixe que isso aconteça! Continue colocando em prática todas as medidas de segurança recomendadas contra o novo coronavírus e venha realizar seus exames.”. Esperamos por você!

Ressaltamos que, no Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP), todas as equipes envolvidas no tratamento multidisciplinar do câncer de mama trabalham centralizadas no mesmo ambiente, o que permite maior comunicação entre os profissionais envolvidos e maior conforto do paciente. Contamos com médicos das áreas de oncologia clínica, cirurgia oncológica, mastologia e radioterapia, todos especializados, dedicados e voltados para a implementação de métodos de excelência, para garantir a segurança oncológica e a menor agressividade possível nos tratamentos.

Fonte: Dr. André Perina, coordenador da equipe de cirurgia oncológica e mastologia do Hospital Santa Paula.