Lúpus: o que é e qual o tratamento para conviver com a doença

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória autoimune sistêmica, que pode afetar diversos órgãos e tecidos como: rins, articulações, pele, vasos sanguíneos, sistema nervoso, coração, entre outros. Estima-se que no Brasil existem aproximadamente 65 mil pessoas com lúpus. Trata-se de uma doença crônica, que não possui cura, porém tem tratamento com enfoque na remissão, ou seja, como se ela ficasse “dormindo”, sem demonstrar sintomas. É mais comum em mulheres e jovens, entre 20 e 45 anos, porém pode atingir crianças e homens. Saiba mais sobre o tema.

O que é o lúpus e quais os sintomas

Segundo a Dra. Maria Ester Simeira Fonseca Ribeiro, Médica Reumatologista do Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP): ‘’O lúpus é uma doença autoimune, ou seja, quando o corpo não reconhece suas estruturas produzindo anticorpos para combatê-las. A etiologia (causa) exata é desconhecida, provavelmente multifatorial, com fatores genéticos, hormonais e ambientais no desenvolvimento da doença”.

Por se tratar de doença sistêmica, podendo atingir diversos órgãos, ela pode apresentar desde um quadro leve até uma evolução mais grave, como, por exemplo: envolvimento renal e do sistema nervoso. Vale lembrar que existe também a forma mais limitada sem envolvimento sistêmico, chamada de discoide, caracterizada por lesões mais comumente na face e couro cabeludo.

Outro tipo mais raro é o lúpus neonatal, que afeta recém-nascidos de mulheres lúpicas. Normalmente as pacientes possuem anticorpo, que passa pela placenta, atingindo os bebês. Mas, é comum que este anticorpo desapareça nos primeiros meses de vida deles.

Algumas medicações podem induzir ao lúpus, com quadro semelhante ao sistêmico. No entanto, nesses casos, os sintomas normalmente cessam com a interrupção da medicação.

De acordo com a Dra. Maria Ester Simeira Fonseca Ribeiro, “os sintomas dependerão dos órgãos ou tecido acometido”. Os sintomas possíveis são:

-Dor e inchaço nas articulações;
-Febre;
-Fadiga;
-Lesões na pele que podem piorar com a exposição solar;
-Aftas no nariz e na boca;
-Dificuldade para respirar;
-Dor no peito ao inspirar profundamente;
-Dor de cabeça;
-Confusão mental;
-Perda de memória;
-Linfonodos (gânglios) aumentados;
-Queda de cabelo;
-Inchaços no corpo;
-Alterações na urina (espuma e sangue);
-Queixas oculares e convulsão.

Como se faz o diagnóstico do Lúpus?

Não existe um exame único para diagnóstico da doença. Faz-se necessário realizar uma avaliação clínica, exame físico detalhado, além de exames laboratoriais complementares, como, por exemplo: a pesquisa de autoanticorpos específicos para doença. Em alguns casos, há necessidade de complementação com biopsia de lesões de pele e renal; exames de imagem como, por exemplo: tomografia de tórax e ecocardiograma.

Lúpus é contagioso?

Embora seja um motivo de dúvida para muitas pessoas sobre se o Lúpus é contagioso, é importante destacar que não, ou seja, ele não se transmite de uma pessoa para outra.

Quais são os fatores de risco para doença?

Os fatores de risco para o lúpus são interações complexas entre genes e exposição ambiental para desenvolvimento da doença. Devido à incidência aumentada no sexo feminino, os fatores hormonais têm seu envolvimento na patogênese da doença. Ela é mais comum em asiáticos, afro-americanos e hispano-americanos.

Lúpus tem cura?

O lúpus não tem cura, mas tem tratamento, podendo levar à remissão da doença, ou seja, ela entra em controle, com melhora dos sintomas clínicos e melhora laboratorial. Não existe um tempo exato para que isso aconteça. O seguimento e o diagnóstico precoce são importantes no controle, com tratamento das suas manifestações.

Existe algum alimento que pode piorar o Lúpus?

Não há nenhum alimento que pode induzir a doença. Os pacientes lúpicos devem cultivar bons hábitos como, por exemplo: alimentação equilibrada; prática de atividade física regular; atentar ao padrão do sono; evitar excesso de bebida alcoólica e cessar o tabagismo quando presente.

A mulher com lúpus pode engravidar?

A paciente com lúpus pode engravidar, mas a gestação precisa ser planejada, buscando o melhor momento para que ela aconteça. A doença em remissão, com medicamentos compatíveis com gestação, diminuem os riscos maternos e fetais.

Tratamento de Lúpus

O tratamento da doença dependerá do órgão acometido e da gravidade. A patologia pode apresentar desde sintomas leves a graves que necessitarão de imunossupressores, como corticoides e outros. Medicamentos biológicos, mais recentemente, também são utilizados no tratamento da doença. Orientações como, por exemplo: uso de proteção solar, evitar uso de hormônios (estrógenos), a importância da prática de exercícios físicos e alimentação saudável são medidas importantes no seguimento dos pacientes.

Segundo a Dra. Maria Ester Simeira Fonseca Ribeiro: “a cloroquina ou hidroxicloroquina, medicamento realizado no tratamento da malária, é também utilizado em diversas doenças autoimunes e, no lúpus, tem papel importante com ação imunomoduladora, sendo prescrito em casos leves e graves. Há estudos evidenciando que diminuem a ativação da doença, eventos trombóticos, assim como mortalidade em pacientes lúpicos. Como qualquer medicamento possui efeito colateral, por isso, a importância da prescrição médica e do seguimento. Um dos efeitos colaterais é a toxicidade para olhos, mas o acompanhamento regular com oftalmologista ajuda na detecção precoce para suspensão da medicação”, explica.

“Os pacientes devem buscar diagnóstico precoce, realizar o tratamento regular da doença, com consultas frequentes para evitar os danos da doença e melhorar o prognóstico da mesma”, reforça a médica.