Iodoterapia no tratamento oncológico: o que é?

O tratamento do câncer de tireoide – glândula localizada no pescoço e que é responsável pela produção dos hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina) – pode ter a indicação de uma modalidade terapêutica chamada iodoterapia ou radioiodoterapia. Entenda como funciona esse tipo de procedimento.

O que é e para que serve a iodoterapia?

A iodoterapia é uma abordagem utilizada há mais de 80 anos para tratar o câncer de tireoide depois do procedimento cirúrgico (tireoidectomia total). Ela é recomendada para pessoas com câncer de tireoide específico, mas não para o tratamento de carcinomas anaplásicos e medulares da tireoide, pois estes não captam o iodo.

A iodoterapia consiste na administração, por via oral, do iodo-131, que é um elemento radioativo. Seu preparo inclui uma dieta pobre em iodo por aproximadamente duas semanas antes da realização desse procedimento e o aumento de um hormônio chamado TSH. Existem duas maneiras de aumentar o TSH. Uma, mais antiga, que consiste em suspender a reposição do hormônio da tireoide por 30 dias. E a outra, mais moderna, envolve duas injeções com o hormônio TSH que são aplicadas antes da iodoterapia.

Como funciona a iodoterapia para tratamento oncológico?

O iodo radioativo consegue encontrar as células cancerígenas da tireoide que eventualmente escaparam do tratamento cirúrgico. A tireoide e o câncer de tireoide captam o iodo. Assim, o iodo-131 leva radiação diretamente às células tumorais, causando sua destruição. As doses a serem utilizadas são calculadas pelo médico nuclear.

O tratamento é aconselhado para remover resíduos de células cancerígenas depois da retirada da tireoide, com o objetivo de evitar que haja recidiva do câncer. Também pode ser utilizado para eliminar as metástases do câncer de tireoide. O grupo de tumores para o qual há indicação específica de terapêutica com o iodo-131 é chamado de tumores “bem diferenciados”, do qual fazem parte os carcinomas papilíferos e os carcinomas foliculares.

De acordo com o Dr. Dalton Alexandre dos Anjos, coordenador da Medicina Nuclear e PET/CT do Hospital Santa Paula: “O tratamento com o iodo radioativo é muito seguro e eficaz. Por envolver radiação, muitas pessoas ficam com medo dele. Porém, as doses de radiação utilizadas são muito baixas e muito bem toleradas pela maioria dos pacientes.” O médico ainda acrescenta: “O câncer diferenciado da tireoide é uma doença curável. A taxa de cura é de 98%. Raramente um paciente morre de câncer de tireoide, como vemos com outros tipos de câncer.”

Cuidados pós-procedimento

Depois de passar pelo tratamento com o iodo radioativo, é necessário tomar alguns cuidados por causa da pequena quantidade de iodo-131 que permanece no corpo, que será expelida por meio da urina, das fezes, da saliva e do suor.

Conheça alguns deles:

  • ficar em isolamento – aproximadamente oito dias do uso do medicamento, de acordo com orientação médica. De maneira geral, são dois dias no hospital e o restante do tempo em casa, sem contato com mulheres grávidas ou crianças menores de 2 anos;
  • beber muita água para aumentar a produção de urina e otimizar a eliminação do iodo por meio dela;
  • lavar as roupas separadamente por uma semana;
  • consumir frutas cítricas, balas e gomas de mascar para que as glândulas salivares produzam bastante saliva, o que ajuda a protegê-las da radiação do iodo;
  • dar descarga três vezes depois de evacuar e urinar.

Iodoterapia: engorda ou emagrece?

Segundo o Dr. Dalton Alexandre dos Anjos: “A iodoterapia não engorda nem emagrece. O que pode influenciar o peso dos pacientes em iodoterapia são os hormônios da tireoide, principalmente se eles não estiverem bem regulados.”

A iodoterapia contribui para a queda de cabelo?

“Não. O que pode influenciar a queda de cabelo dos pacientes em iodoterapia são os hormônios da tireoide, principalmente se eles não estiverem bem regulados”, explica o médico.

Efeitos colaterais da iodoterapia no longo prazo

A maioria dos pacientes que faz iodoterapia não sofre nenhum efeito colateral. Os efeitos colaterais são mais frequentes em pacientes com câncer avançado, que precisam de doses mais altas de radiação.

A iodoterapia pode provocar efeitos colaterais logo nos primeiros dias, como inchaço, dor nas glândulas salivares, náuseas e dor abdominal. Já em longo prazo ela pode ocasionar o ressecamento da boca e dos olhos.