Devo realizar uma cirurgia ortopédica mesmo em meio à pandemia?

Entenda como é feita uma intervenção cirúrgica nesse momento e como o Hospital Santa Paula está estruturado para atender esses casos

Sabemos que certos ferimentos, dor e desconforto podem ser contornados sem necessidade de ir ao hospital. Porém, se você ou um familiar for surpreendido por uma lesão que cause dor ou perda de função – como torção, fratura, distensão, luxação ou estiramento – busque atendimento médico com urgência, mesmo durante o período de isolamento social. Isso porque o sucesso do tratamento depende de um diagnóstico rápido e bem elaborado, auxiliado por exames laboratoriais e/ou de imagem.

Com o aumento dos números de casos do novo coronavírus no Brasil, muitas pessoas têm ficado com dúvida sobre como agir nesse cenário. Quais os riscos de ir a uma unidade hospitalar? No caso de uma lesão, quais os perigos de um tratamento tardio? Como os hospitais estão se preparando para receber os pacientes? As respostas para essas perguntas e muito mais você confere em nosso texto de hoje.

Precisei operar. E agora?

O ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Paula ressalta um ponto importante em relação ao pós-operatório ortopédico: “É comum a ocorrência de febre, por causa do sangramento da cirurgia e da reabsorção de hematoma. Portanto, já orientamos esse paciente que, caso venha a ter febre, é muito importante que seja medida corretamente e registrada, conferindo se a temperatura está relativamente baixa, entre 38 °C e 38,5 °C, o que seria característico de febre por hematoma. Esse quadro geralmente começa 24 horas após a cirurgia e pode durar de dois ou três dias, nunca mais que isso. Se persistir no terceiro dia em diante, é necessário consultar o médico.”.

Medo × saúde

Atualmente, enfrentamos um momento muito difícil. A pandemia da Covid-19 está afetando expressivamente a procura por serviços hospitalares emergenciais, que, em qualquer outro cenário, seria prioridade do paciente. Destacamos que, apesar dos temores de contágio, alguns procedimentos cirúrgicos para tratamento de lesões traumáticas, infecções e condições tumorais não podem ser deixados em segundo plano.

“Infelizmente, pacientes com câncer, risco cardíaco e lesões ortopédicas graves, entre outras sérias enfermidades, estão deixando de realizar o tratamento de forma correta no hospital. Por isso, nós médicos estamos tendo o compromisso de ligar para nossos pacientes e perguntar detalhes sobre o estado de saúde deles e, se for o caso, sugerir uma consulta através da telemedicina ou mesmo uma visita domiciliar, de um profissional especializado e totalmente equipado, entre outras medidas que temos adotado, visando sempre à qualidade de vida e ao bem-estar da pessoa”, pontua o especialista.

É importante ressaltar que, no caso de uma lesão ortopédica urgente, um tratamento tardio pode resultar em sequelas corporais, risco de trombose ou, ainda, no desenvolvimento de lesões mais graves e limitantes.

Fique atento a sintomas que merecem uma consulta médica:

– dor nova ou incapacitante, principalmente se for depois de um acidente;

– mudança na característica de uma dor antiga – aqui podemos ser generalistas: se um paciente com problemas no coração, cefaleia ou qualquer outra enfermidade da qual ele já conheça o comportamento da dor perceba piora dos sintomas, é necessária uma avaliação médica.

“A ortopedia é uma especialidade prática. Usarei como exemplo as duas ocorrências mais comuns durante esse período extra em casa. No caso de um paciente com fratura, basta um exame de raios X para evidenciar o problema e planejar o tratamento com total precisão, sem depender de uma avaliação mais avançada. Já no caso de lesões que não envolvem osso, como uma entorse (torção) do tornozelo ou do joelho, um ultrassom permite uma observação detalhada e eficaz. O que quero dizer é: chegar ao diagnóstico pode ser mais simples do que você imagina, mas é um processo fundamental para que haja uma recuperação de sucesso nesses casos”, alerta o Dr. Fabiano Cunha.

Entenda as novas medidas de segurança para cirurgia e internação

Aqui, no Hospital Santa Paula, todos os processos foram reformulados, a fim de garantir a segurança de pacientes e familiares em todas as etapas do atendimento. Foram implementadas áreas restritas para internação e atendimento de pacientes com sintomas respiratórios ou suspeita de Covid-19, com equipes devidamente treinadas e paramentadas. A internação de pacientes pré-cirúrgicos é feita de maneira separada, por fluxos independentes, e toda a equipe, tanto de enfermagem quanto médica, recebe do hospital todos os equipamentos de proteção individual (EPI) necessários para circular dentro do centro cirúrgico de forma segura.

Para assegurar a proteção do paciente nas cirurgias eletivas, é feita a coleta do PCR Covid-19 no domicílio do candidato à intervenção 48 horas antes do agendamento cirúrgico. Em caso de cirurgias de emergência (somente nestas), o exame de PCR – Point of Care é colhido no pronto-socorro e a cirurgia é realizada.

Como posso me cuidar?

Não há como saber quando uma pessoa vai sofrer uma lesão ortopédica. Porém, algumas medidas para evitar acidentes domésticos, que poderiam resultar em tais complicações, são:

  • retire os tapetes da casa; eles são um dos maiores causadores de acidentes;
  • não deixe fios, brinquedos, sapatos e outros “obstáculos” espalhados pela casa;
  • se houver escadas, use sempre o corrimão;
  • não deixe pisos úmidos ou molhados;
  • evite subir em banquinhos ou cadeiras;
  • não ande pela casa com as luzes apagadas.

Além dessas dicas, o Dr. Fabiano afirma que estar com a saúde nas melhores condições possíveis é um diferencial que influencia muito se você for surpreendido pela necessidade de uma cirurgia urgente. “Quando o organismo está saudável, a operação em si e a recuperação do paciente são mais bem-sucedidas.”

Ou seja, além de manter o corpo ativo mesmo durante o isolamento social, priorize uma alimentação saudável nesse momento, se possível à base de vegetais e hortaliças. Evite o consumo de produtos com muito sódio, açúcar, óleo ou que sejam muito processados – esses alimentos exigem um esforço extra do organismo durante a digestão, geram aumento de peso e ainda resultam na chamada “perda de reservas”, isto é, o desgaste dos nutrientes, a ponto de gerar uma inflamação.

Fonte: Dr. Fabiano Cunha, ortopedista e traumatologista do Hospital Santa Paula.

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