Conheça a osteoporose, doença comum após os 50

osteoporose

Cuidados com os ossos em todas as fases da vida podem ajudar a prevenir esse quadro

Os ossos do esqueleto humano garantem, além da sustentação e movimentação do corpo, a proteção de determinados órgãos vitais. Sua interposição funciona como um “escudo” ou “gaiola” para resguardar o coração, os pulmões, o cérebro, a medula espinhal e a bexiga, por exemplo. Nossos ossos são constituídos por colágeno e um mineral chamado fosfato de cálcio, que torna sua estrutura dura e forte, permitindo a reserva de sais minerais e a produção de células sanguíneas.

No entanto, com o passar dos anos, nossos ossos tendem a perder cálcio mais rapidamente do que podem repor. Em alguns indivíduos, esse processo é mais intenso, provocando uma condição de fragilidade óssea que torna sua estrutura quebradiça, a qual chamamos de osteoporose.

Entenda os perigos acarretados por essa doença

A osteoporose afeta imensamente a qualidade de vida da pessoa com mais de 50 anos, uma vez que transforma simples contratempos do dia a dia em grandes riscos de fratura. Essas fraturas ocorrem mais comumente no quadril, no punho ou na coluna vertebral, podendo causar perda da mobilidade e da independência, sequelas ou ainda chance de fatalidade.

“As fraturas vertebrais, por exemplo, além de causarem perda de altura, podem diminuir o volume da caixa torácica e abdominal. Isso pode levar a dificuldade para respirar e problemas intestinais por compressão do pulmão e do intestino, respectivamente. Infelizmente, as fraturas vertebrais ocorrem na grande maioria das vezes de forma silenciosa ou assintomática, e as pessoas só as descobrem quando estão com esses sintomas. Já as fraturas de quadril são grandes causadoras de mortalidade precoce”, destaca a Dra. Jaqueline Barros Lopes, reumatologista do Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula.

Logo, não há dúvidas, a prevenção é fundamental para evitar a ocorrência dessas fraturas e contribuir para a manutenção da qualidade de vida, bem-estar e longevidade. Mais à frente explicaremos os principais meios de se manter longe dessa condição.

Quando é recomendado investigar e avaliar a saúde dos ossos em uma consulta com um especialista?

Sempre que existir fraturas por fragilidade ou alterações na densitometria óssea é importante buscar auxílio profissional. Nossa especialista explica esses dois termos: “Fraturas por fragilidade são aquelas decorrentes de trauma mínimo, como a fratura de costela após tossir ou espirrar ou após o simples movimento de rotação do corpo. Outro exemplo de fratura por fragilidade é a fratura de punho após queda da própria altura. Os ossos do punho, mais especificamente o rádio, devem ser fortes o suficiente para suportar o peso do corpo após uma queda da própria altura. Portanto, quebrar o punho após cair e escorregar indica fragilidade óssea”, afirma a médica.

As fraturas por fragilidade também podem ocorrer em jovens e estar associadas ou não à osteoporose. Então, é importante investigar outras doenças que podem estar causando o problema em questão – nesse caso, chamamos a osteoporose de secundária.

Com relação às alterações na densitometria, a Dra. Jaqueline ressalta que todo indivíduo (homem ou mulher) deve fazer ao menos uma densitometria óssea após os 50 anos. “Caso o exame identifique baixa massa óssea para a idade, condição popularmente conhecida como osteopenia, o ideal é procurar o reumatologista para que ele avalie os riscos e inicie medidas para prevenir a osteoporose”, pontua.

Ela reforça ainda que todo homem deve fazer ao menos uma densitometria após os 50 anos e repeti-la conforme a necessidade. Já as mulheres devem realizar a densitometria óssea no início dos sintomas do climatério e repeti-la imediatamente após a menopausa. “Fazer esse exame nessas etapas é fundamental para que possamos avaliar a massa óssea antes do início da perda acelerada que ocorre com a menopausa e menos marcadamente com a andropausa. Lembro ainda que a densitometria deve ser realizada em qualquer idade quando há a ocorrência de fraturas por fragilidade”, complementa.

Você nunca será muito jovem ou muito velho para investir nesses cuidados

  • Já se exercitou hoje? Atividades que envolvem o levantamento de peso podem ajudar a prevenir a perda óssea. Manter-se ativo fisicamente vai beneficiar os ossos, além de prevenir outras diversas comorbidades por toda a vida. Para aqueles que já possuem ossos fracos, as caminhadas são as mais indicadas e produzem um impacto positivo para o fortalecimento dos ossos. Já as técnicas de equilíbrio e melhora postural podem auxiliar a coordenação, mantendo o indivíduo longe do risco de quedas.
  • Confira se você está ingerindo com frequência alimentos que são fontes de cálcio: laticínios com baixo teor de gordura, vegetais com folhas verde-escuras, produtos de soja e cereais fortificados com cálcio. Se sua alimentação é mais limitada, que tal perguntar a seu médico sobre a possibilidade de usar suplementos de cálcio?
  • A vitamina D também pode ajudar. Esse componente, obtido principalmente por meio da exposição à luz solar, aumenta a capacidade do corpo de absorver cálcio, melhorando a saúde óssea de diversas maneiras. Ela também está presente em alguns peixes, como salmão e cavala, e em oleaginosas, como castanha-do-pará e castanha-de-caju.
  • É sempre importante manter um peso corporal adequado e saudável. Se for o caso, consulte um especialista sobre esse assunto para se certificar de que está no caminho certo.

A reumatologista aproveita o clima de compartilhar cuidados e deixa um recado para os jovens: “Acumulem osso ao longo da infância/adolescência e tenham hábitos saudáveis. É sabido que ganhamos massa óssea até os 25 anos. Após esse período, nossos hábitos serão responsáveis pela manutenção dessa massa óssea até os 50 anos, quando se iniciará o processo de perda. Logo, aqueles que tiverem uma ingestão adequada de cálcio na infância/adolescência e hábitos saudáveis chegarão aos 50 anos com uma ‘poupança’ ou, como costumo brincar, um ‘banco de ossos’ e terão mais chances de enfrentar essa perda óssea da idade sem desenvolver a osteoporose.”.

A nossos leitores da terceira idade, a Dra. Jaqueline Barros faz um alerta: “Todo mundo acha normal perder altura com a idade. Porém, quase ninguém sabe que existe um limite para essa perda de altura, sendo, nas mulheres, menor de 4cm e, nos homens, menor de 6cm em relação à altura aos 25 anos. Portanto, se você é idoso e teve perda de altura maior ou igual a esses valores, procure um reumatologista, pois pode já estar com fratura vertebral por osteoporose.”.

Tratamentos para a osteoporose

Há muitos anos a osteoporose deixou de ser uma condição em que se prescrevia o tratamento baseado exclusivamente no valor da densitometria. Hoje, a abordagem terapêutica da osteoporose engloba muito mais. Segundo a especialista do Hospital Santa Paula, já contamos com medicamentos que tanto podem promover o ganho de massa óssea como inibir a perda de massa óssea. No entanto, a decisão por um ou outro medicamento não é simples e deve ser baseada em fatores que vão desde a aderência do paciente ao tratamento até as comorbidades existentes. Assim, concluímos que cada tratamento é individualizado, e não existe uma receita universal.

Fonte: Dra. Jaqueline Barros Lopes, reumatologista do Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula.