Como baixar a pressão? Dicas para saber quando ela está alta

pressão alta

Hipertensão requer controle para evitar complicações

A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma doença crônica de causa multifatorial que, apesar de não ter cura, tem tratamento e pode ser controlada. Além disso, ela pode ser evitada com a adoção de hábitos saudáveis diariamente, como a prática de atividades físicas, o controle do peso, a adoção de uma alimentação balanceada, entre outras atitudes que visem ao bem-estar como um todo.

De acordo com o Dr. Fabrício Assami Borges, coordenador médico das Unidades de Terapia Intensiva e Coronária do Hospital Santa Paula: “Globalmente, a incidência de hipertensão é de aproximadamente 31% (dados de 2010), sendo discretamente maior no Brasil, 32,3%. Em ambas as situações, a incidência da enfermidade é levemente maior em homens e sobe progressivamente com a idade, podendo acometer cerca de 70% dos pacientes acima de 70 anos”, explica. Antes de saber como evitar a condição e tratá-la, tenha mais informações sobre a hipertensão arterial e suas principais causas.

O que é pressão alta?

Primeiro, é necessário entender que o coração bombeia o sangue por meio das artérias. Esse “bombeamento” é dividido em duas fases: a sístole (contração do coração), em que o sangue é ejetado do coração, e a diástole, fase de relaxamento do coração. Esses movimentos dão o nome à pressão aferida – sistólica e diastólica, respectivamente.

Quando a pressão sistólica vai até 120 mmHg, é considerada normal. Já se ela ultrapassa os 140 mmHg, está elevada. Por sua vez, no caso da pressão diastólica, a classificação normal é 80 mmHg, e não é adequado que chegue aos 90 mmHg, pois, quando a pressão excede esses valores, o sistema cardiovascular (coração e vasos sanguíneos) esforça-se ainda mais para conseguir levar o sangue para todo o corpo e com isso podem surgir as doenças que afetam o coração, o cérebro e os olhos, além dos vasos sanguíneos, sem contar que pode também paralisar os rins.

O coração, portanto, não é o único órgão que sofre por causa do controle inadequado da pressão arterial. Embora o infarto do miocárdio seja uma das principais preocupações como consequência da pressão alta, lesões em outros órgãos também podem ocorrer, em especial o acidente vascular cerebral (AVC) – “derrame” – e lesões progressivas nos rins, que podem levar, inclusive, à necessidade de hemodiálise.

Em casos extremos de elevação da pressão arterial, podem ocorrer complicações agudas e muito graves, como o chamado edema agudo de pulmão (acúmulo anormal de líquidos nos órgãos), que provoca a interrupção da entrada de oxigênio e, normalmente, causa crises severas de falta de ar, além da encefalopatia hipertensiva, em que pode ocorrer edema cerebral, com alto risco de complicações neurológicas e necessidade de controle rápido e rigoroso da pressão com medicamentos endovenosos em unidade de terapia intensiva.

Ainda que, na maior parte dos casos, a hipertensão seja um fator hereditário – por isso é chamada de hipertensão primária –, há condições que influenciam diretamente os níveis da pressão arterial:

  • obesidade;
  • consumo excessivo de sal;
  • fumo;
  • colesterol alto;
  • sedentarismo;
  • ingestão elevada de bebidas alcoólicas.

Além desses elementos, há outros fatores de risco, como a idade (a incidência da hipertensão é progressivamente maior com a idade, em especial depois dos 50 anos), sobretudo em homens, diabéticos e negros.

O Dr. Fabrício Assami Borges, coordenador médico das Unidades de Terapia Intensiva e Coronária do Hospital Santa Paula, reforça: “A hipertensão tem incidência progressivamente maior com a idade, sendo mais prevalente e mais precoce nos homens. É mais comum em obesos, sedentários, tabagistas, nos que têm alto nível de estresse psicossocial, com ingesta abusiva de álcool, e em especial naqueles com história familiar de hipertensão”, explica.

Apesar de mais raros, existem os casos de hipertensão chamada secundária, ou seja, na qual é possível encontrar uma causa para a elevação da pressão. As causas mais comuns são alguns medicamentos, como os corticosteroides ou anti-inflamatórios de uso contínuo, e as doenças renais.

Principais sinais do aumento da pressão

A maioria absoluta dos hipertensos não apresenta nenhum sintoma, o que é muito importante ressaltar, pois se não houver uma procura ativa em avaliações de rotina, em especial naqueles pacientes com fatores de risco ou história de hipertensão na família, a descoberta da patologia pode ocorrer já depois de instaladas lesões nos chamados órgãos-alvo, como descrevemos anteriormente (coração / vasos sanguíneos / cérebro / olhos / rins).

Os sintomas mais comuns de que a pressão está elevada costumam acontecer quando seus níveis estão muito altos, o que pode ocasionar dores de cabeça, tonturas, dores no peito, fraqueza, “zumbido” no ouvido, sangramento no nariz ou visão embaçada.

O que fazer para baixar a pressão?

Em primeiro lugar, é necessário ter o diagnóstico da patologia, portanto, é fundamental comparecer a consultas de rotina com seu cardiologista de confiança. Por meio de uma boa avaliação clínica e de alguns exames complementares, ele pode estabelecer os níveis reais da pressão arterial e a necessidade de intervenções, com o objetivo de reduzi-los.

Por que falamos em “níveis reais de pressão arterial”? Isso é importante porque muitos pacientes têm elevações desses valores por dor, ansiedade, medo, o que pode simular uma hipertensão que, na verdade, não é real. Inclusive um termo muito conhecido é “hipertensão do jaleco branco”, em que pacientes têm elevação da pressão arterial exclusivamente durante as visitas ao médico, que pode ser diferenciada com cuidados na hora de fazer uma avaliação clínica e exames, conforme descrito previamente.

Quando o diagnóstico está estabelecido e é necessária a redução dos valores da pressão arterial, é fundamental que tenhamos um entendimento melhor da doença.

1) Trata-se de uma doença crônica que não tem cura, mas pode ser controlada adequadamente, com redução dos riscos.

2) O controle se ampara em um tripé: atividades físicas, alimentação adequada e medicamentos.

A atividade física recomendada é de leve a moderada intensidade e, idealmente, de 150 a 300 minutos por semana em treinos de 30 a 60 minutos por dia. Como falamos de hábitos de vida, além de dar adeus ao sedentarismo, é importantíssimo o abandono do cigarro.

Em relação à alimentação, além da redução do sal, a diminuição calórica visando ao controle de peso e a redução do consumo exagerado de álcool são fundamentais. Essas dicas servem tanto para o controle como para a prevenção da hipertensão arterial.

Os medicamentos para controlar a pressão arterial – os anti-hipertensivos – são inúmeros, e sua escolha deve ser individualizada para cada paciente, com base em sua história clínica, doenças associadas, medicamentos em uso concomitante, biotipo, idade e resultado dos exames complementares.

Como prevenir a hipertensão arterial?

A pressão alta, mesmo que não tenha cura, pode ser controlada e até mesmo evitada. A forma de tratamento deve ser analisada apenas por um especialista, de acordo com o histórico de cada paciente, para a indicação de medicamentos específicos. Já em relação à prevenção, é essencial a opção de um estilo de vida mais saudável.

– Praticar regularmente atividades físicas.

– Usar moderadamente o sal.

– Ter tempo para o lazer/redução do estresse.

– Não fumar.

– Evitar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

– Controlar o diabetes.

– Evitar alimentos gordurosos.

Segundo o Dr. Fabrício Assami Borges, a maioria dos pacientes é assintomática: “Se formos esperar sintomas, muitas vezes, o diagnóstico será feito quando já houver um dano no coração ou um acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta o médico.

Fique atento a sua saúde. Na dúvida, aos aparecimento de sintomas, consulte o médico.

Fonte:  Dr. Fabrício Assami Borges, coordenador médico das Unidades de Terapia Intensiva e Coronária do Hospital Santa Paula.