Como aumentar a longevidade e envelhecer de forma saudável

Pensar em expectativa de vida com saúde é ter todas as necessidades atendidas

Longevidade com qualidade de vida é possível, mas, para isso, é preciso cuidar da saúde durante todas as fases da vida. Com o objetivo de envelhecer da melhor maneira possível – com autonomia, independência e dias saudáveis –, é necessário contar, na maior parte das vezes, com um estilo de vida adequado.

Segundo a Dra. Keite Priscila Paiá, médica geriatra e especialista em cuidados paliativos do Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (Iosp): “Antes de pensarmos em aumentar a longevidade, precisamos lembrar que, embora as pessoas estejam vivendo mais, isso nem sempre é sinônimo de que estejam vivendo com saúde ou que tenham suas necessidades atendidas”. Envelhecimento saudável é “o processo de desenvolver e manter a capacidade funcional que possibilita o bem-estar na velhice”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A médica destaca que, para aumentar a expectativa de vida de forma saudável, é fundamental abordar, além da doença, questões que envolvam buscar o máximo potencial para gerar saúde. Isso, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), quer dizer: “O desenvolvimento de capacidades ou habilidades que permitam aos indivíduos e populações se desenvolverem de acordo com as suas expectativas e as demandas do ambiente onde vivem.”

Ela complementa que a grande heterogeneidade dos estados de saúde dos idosos mostra que as decisões de tratamento, preventivas e terapêuticas, devem ser individualizadas. A idade, isoladamente, não deve determinar as intervenções, e todos os tratamentos deveriam ter como objetivos a manutenção da funcionalidade e mais qualidade de vida.

A médica indica ainda que vários fatores podem contribuir para que essa meta seja alcançada, como:

  • alimentação saudável – sempre que possível, com orientação profissional, individualizando a demanda específica do paciente;
  • exercícios adequados para manter e melhorar a força, flexibilidade e resistência. Exercícios, incluindo 30 minutos de atividade aeróbica por dia, pelo menos cinco dias por semana, de fortalecimento muscular e treino de equilíbrio;
  • suspensão do tabagismo;
  • limitação da ingestão de álcool;
  • calendário de vacinas em dia;
  • atenção e cuidado às alterações do humor como depressão, ansiedade, sintomas de pânico e ideações suicidas; sempre que necessário, buscar auxílio médico e de uma equipe interdisciplinar;
  • uso adequado de medicamentos – atenção regular às medicações, incluindo indicação, efeitos adversos, interações medicamentosas e custos de remédios prescritos e não prescritos; isso envolve também suplementações que, muitas vezes, são utilizadas sem indicação médica;
  • comunicação eficaz com a família, os amigos e os profissionais de saúde;
  • uso sensato do sistema de saúde, com foco no cuidado ambulatorial, com seus médicos e equipe de confiança, evitando idas desnecessárias a serviços de pronto atendimento;
  • espiritualidade – entende-se por espiritualidade a ideia ligada a propósito e sentido que a pessoa encontra na vida, não apenas relacionada à religião – essa conexão pode também ser encontrada na religião, mas não apenas nela. Pessoas podem encontrar esse sentido na convivência com os amigos, na natureza ou na arte, por exemplo;
  • monitoramento de sintomas e condições que impactem a saúde, segurança e qualidade de vida no envelhecimento, como déficit cognitivo, instabilidade de marcha e quedas, déficit visual e auditivo e declínio funcional;
  • paciente e família devem participar ativamente de todo o processo do plano de cuidados, já que o envelhecimento começa muito antes do que a maioria das pessoas nota e pode-se ter grande benefício em abordagens precoces;
  • manutenção da autonomia (capacidade de tomar decisões) e independência (capacidade de realizar as atividades cotidianas sem auxílio) possíveis em cada fase do envelhecimento.

“Muitos são os fatores que podem contribuir para um envelhecimento bem-sucedido, por isso, a importância de cuidar da saúde, de preferência com uma equipe multidisciplinar de profissionais (como psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e dentistas, entre outros)”, explica a médica.

A geriatra destaca ainda que: “Compreender as implicações do envelhecimento populacional é crucial para que as sociedades estejam preparadas para atender a uma população envelhecida. Na região das Américas, isso é ainda mais importante, pois o envelhecimento populacional ocorre rapidamente e com muitos conceitos inadequados, segundo a Opas.”

Ela chama atenção ainda para o fato de que, em setembro de 2021, houve o lançamento da Década do Envelhecimento Saudável 2020-2030 (Opas/OMS), com diversas frentes, entre as quais estão:

  • Foco na mudança de pensamento, sentimentos e ações em relação ao envelhecimento;
  • Garantia de que as comunidades possam promover a capacidade das pessoas idosas;
  • Serviços de cuidados integrados e de atenção primária à saúde centrados na pessoa e adequados à pessoa idosa;
  • Acesso a cuidados de longo prazo para as pessoas idosas que necessitem.

“Então, cuide-se, cuide de seus idosos! Vamos acrescentar vida aos anos, e não somente anos à vida”, destaca a médica.

Referências
Uptodate. Acesso em 5/9/2021. Normal aging. Author: George E Taffet, MDSection. Editor: Kenneth E Schmader, MDDeputy. Editor: Jane Givens, MD. Literature review current through: Aug 2021. | This topic last update: Feb 11, 2021.
https://www.paho.org/pt/decada-do-envelhecimento-saudavel-2020-2030 (acesso em 5/9/2021)
https://www.selfmanagementresource.com/programs/small-group-spanish/tomando-control-de-su-salud/ (acesso em 5/9/2021)
https://mailchi.mp/8bc0f19bd749/decade-of-healthy-aging-in-the-americas-4947729-eng-5368297 (acesso em 5/9/2021)
https://revista.abrale.org.br/espiritualidade-e-cancer/ (acesso em 5/9/2021)