Cirurgia bariátrica: o que saber sobre redução do estômago?

cirurgia bariátrica

Conheça indicações, tipos, benefícios e riscos da intervenção

A obesidade é uma doença que vem atingindo um número crescente de pessoas no mundo no último século e é causada por fatores genéticos associados a uma dieta desequilibrada, sedentarismo e compulsão alimentar. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo IBGE em outubro de 2020, um em cada quatro brasileiros apresenta índice de massa corporal (IMC) acima de 30 kg/m2.

Segundo o Dr. Roberto Rizzi, cirurgião bariátrico do Hospital Santa Paula, a obesidade causa várias doenças associadas (comorbidades), como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono e artropatias. O tratamento da obesidade, em geral, é baseado na reeducação alimentar, na introdução de atividades físicas rotineiras e no controle da compulsão alimentar. “Para combater o excesso de peso, é válido associar medicamentos que simulem saciedade, que causem excreção de gorduras e que diminuam a ansiedade. Também podemos usar um balão intragástrico de colocação endoscópica como incentivo ao paciente. Na ausência de resultados satisfatórios, podemos oferecer a cirurgia bariátrica, que se trata de um procedimento que visa diminuir a gordura corporal”, explica o médico.

Quais os riscos da cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica é um procedimento muito seguro, desde que realizado com base em avaliação médica criteriosa e por cirurgiões bariátricos especialistas e experientes. A cirurgia apresenta baixíssimos índices de complicações e sua mortalidade beira um caso em cada mil cirurgias. Algumas ações que são utilizadas para garantir um bom pós-cirúrgico:

– a embolia pulmonar causada por trombose de veias das pernas é evitada com o uso de meias elásticas, compressão pneumática das pernas durante a cirurgia, deambulação precoce e remédios anti-coagulantes.

– as fístulas (vazamentos das suturas) são evitadas com boa técnica cirúrgica e obediência do paciente às regras de alimentação nos primeiros 30 dias.

É necessário fazer a suplementação de vitaminas para sempre depois de qualquer cirurgia bariátrica, para evitar eventual anemia (principalmente nas mulheres com fluxo menstrual intenso).

Qual o peso mínimo para realizar a intervenção?

Conforme as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), estão aptos os pacientes com o índice de massa corpórea (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades e IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades classificadas como graves por um especialista na área da doença, principalmente o diabetes tipo 2, de difícil controle clínico.

Outro fator analisado é a idade, lembrando que pacientes entre 18 e 65 anos não têm restrição. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por uma avaliação individual. E para as pessoas com menos de 16 anos, é necessária a aprovação de um responsável legal.

Qual a diferença entre gastroplastia endoscópica e cirurgia bariátrica?

A gastroplastia endoscópica é um procedimento novo. É realizada uma sutura interna no estômago por endoscopia. Os resultados a longo prazo ainda são desconhecidos.

A cirurgia bariátrica é um procedimento já consagrado desde 1953 e é recomendado para os pacientes com obesidade grau 2 que demonstrem complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes e problemas articulares ou os pacientes com obesidade grau 3 que não tenham conseguido perder peso depois de dois anos de tratamento. O principal mecanismo da cirurgia bariátrica é a produção de hormônios intestinais que visam à obtenção de saciedade, causando, assim, diminuição da fome.

Tipos de cirurgia bariátrica

Existem diversos tipos de cirurgia bariátrica, e a escolha do melhor procedimento deve ser feita com base em avaliação médica. Conheça os métodos mais comuns:

▪ bypass gástrico – é a cirurgia mais realizada no mundo desde 1967. É baseada na redução do estômago e no desvio do trânsito duodenal e de 50 cm de intestino. Esse desvio favorece a produção de hormônios que causam a saciedade e a diminuição da fome. Além de oferecer o emagrecimento, essa técnica auxilia o tratamento do diabetes tipo 2 e trata o refluxo gastroesofágico (doenças comuns na obesidade).

▪ gastrectomia vertical ou sleeve – nessa cirurgia, existe apenas a redução do estômago, que causa saciedade mecânica. É um bom procedimento, porém menos eficaz que um bypass gástrico, por oferecer menos mecanismos antiobesidade. Não deve ser realizado em grandes obesos ou diabéticos. Também deve-se evitá-la em pacientes portadores de refluxo gastroesofágico, pois essa cirurgia pode piorar o refluxo.

▪ banda gástrica – consiste na implantação de uma cinta inflável, que dificulta a passagem do alimento pelo estômago e, dessa forma, causa a saciedade mecânica. Esse método tem indicação limitada, pois não promove saciedade e os pacientes voltam a ganhar peso pela ingestão de líquidos hipercalóricos.

▪ derivação biliopancreática – esse procedimento faz um grande desvio intestinal e, assim, causa a má absorção de alimentos, gerando grande emagrecimento e alívio das comorbidades. Essa opção de cirurgia é muito eficaz, mas por causa de efeitos colaterais como diarreia com odor fétido e eventual risco de desnutrição, também tem indicação limitada a poucos pacientes selecionados.

Benefícios da redução do estômago

Os benefícios apresentados pela cirurgia bariátrica vão além da grande perda de peso e estão relacionados com a melhora das doenças associadas à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, apneia do sono, artropatias etc., sem deixar de mencionar as vantagens em relação ao aspecto emocional do paciente, com aumento da autoestima e redução do risco de depressão, fatores que permitirão maior interação social e mobilidade.

O Dr. Roberto Rizzi, cirurgião bariátrico do Hospital Santa Paula, reforça que a obesidade é uma doença genética e o paciente sempre terá que lidar com a tendência de ganhar peso. Dessa forma, será necessário praticar atividades físicas constantes e evitar alimentos hipercalóricos, como doces, massas e álcool. Além disso, o paciente precisa sempre fazer acompanhamento com a equipe multidisciplinar, tomar os suplementos indicados e realizar os exames de rotina.

Que profissionais estão envolvidos no cuidado do paciente bariátrico?

Fazem parte da equipe multidisciplinar que acompanha o paciente bariátrico profissionais como cirurgião, anestesiologista, endocrinologista, nutricionista, psiquiatra, psicólogo, ortopedista, fisioterapeuta e, eventualmente, outros médicos assistentes, conforme a necessidade (cardiologista, pneumologista, cirurgião vascular etc.).

A cirurgia bariátrica ganhou uma grande visibilidade quando, em 1991, foi realizada pela primeira vez por videolaparoscopia. Esse acesso cirúrgico permitiu uma cirurgia rápida, praticamente sem complicações, com pouca dor e rápido retorno do paciente às suas atividades físicas e profissionais.

Outra novidade é o Programa ERAS, no qual, por meio de condutas cirúrgicas e anestésicas específicas, consegue-se fazer o procedimento em uma internação hospitalar de 24 horas. Muitos pacientes negam dor e/ou náuseas.

Segundo o Dr. Roberto Rizzi, “a obesidade é uma doença genética que causa diminuição da qualidade de vida e inúmeras limitações. Quando se indica a cirurgia para o paciente certo, opera-se com segurança e obtém-se o resultado esperado, sentimos enorme prazer em termos participado do renascimento de um novo ser humano, mais saudável e feliz. Essa é a grande recompensa”, conclui.

Fonte: Dr. Roberto Rizzi, cirurgião bariátrico do Hospital Santa Paula.