Narcolepsia: quais são os sintomas da doença e como seu diagnóstico e tratamento são feitos?

Ter sono excessivo em algum momento do dia pode ser consequência de pouco sono durante a noite anterior, mas episódios recorrentes podem indicar algum distúrbio do sono, como a narcolepsia. Uma das principais características dessa doença é que, normalmente, ela provoca grande e incontrolável sonolência diariamente e também ocasionar fraqueza muscular.

Nesta edição do nosso blog, vamos falar um pouco mais sobre esse assunto. Quem explica o tema é a Dra. Marcele Schettini, neurologista do Hospital Santa Paula. Leia mais!

Narcolepsia: o que é essa condição?

Conforme explica a Dra. Marcele, a narcolepsia é uma doença que afeta o sistema nervoso e causa, principalmente, sonolência diurna excessiva. É igualmente comum em homens e mulheres e pode acometer tanto adolescentes e adultos jovens quanto pessoas com mais de 50 anos. De causa ainda não totalmente conhecida, especialistas consideram que possa se tratar de uma predisposição genética associada a mecanismos imunológicos que levam à perda de neuropeptídeos responsáveis pela manutenção da vigília chamados hipocretinas.

Narcolepsia: sintomas e sinais da doença

A Dra. Marcele explica que todos os pacientes com narcolepsia apresentam sonolência diurna excessiva. Eles são propensos a adormecer ao longo do dia, muitas vezes em horários e em locais inadequados. A sonolência pode ser tão grave que os pacientes com narcolepsia podem cochilar rapidamente sem aviso prévio; esses episódios são comumente chamados de “ataques de sono”.

“Outros sintomas comuns, mas que podem não estar presentes em todos os pacientes são: cataplexia, que é definida como uma fraqueza muscular transitória, sem perda da consciência, depois de sofrer emoções fortes, geralmente positivas (risos, sustos, por exemplo); alucinações hipnagógicas, caracterizadas por alucinações visuais, táteis ou auditivas vívidas, muitas vezes assustadoras, que ocorrem quando o paciente está adormecendo; e paralisia do sono, que é a incapacidade completa de se mover por um ou dois minutos imediatamente após o despertar, sem perda da consciência”, explica a médica.

Apenas um terço dos pacientes terão todos esses sintomas. Assim, o diagnóstico de narcolepsia deve ser considerado mesmo entre pacientes com sonolência diurna crônica isolada.

Como diagnosticar a narcolepsia?

A narcolepsia é uma doença difícil de ser identificada, sendo detectada por meio de história clínica compatível associada a exames complementares, como o teste de latência múltipla do sono e a polissonografia, além do exame da dosagem de hipocretina no liquor. É muito importante que, ao perceber alguns dos sintomas já descritos, a pessoa busque atendimento médico para uma avaliação, a fim de descobrir se há algum distúrbio do sono e qual o tipo.

Que exames detectam a narcolepsia?

Os exames realizados para diagnosticar a narcolepsia são:

▪ Polissonografia – avalia a arquitetura e a qualidade do sono e outros parâmetros fisiológicos. Os pacientes que têm narcolepsia geralmente demonstram despertares espontâneos, eficiência do sono levemente reduzida e aumento do sono leve.

▪ Teste de latência múltipla do sono – é realizado na manhã seguinte à polissonografia. O paciente é colocado em um ambiente indutor de sono (ou seja, quarto escuro e silencioso) e instruído a tentar dormir. Em média, indivíduos saudáveis ​​adormecem em cerca de 10 a 15 minutos, enquanto pessoas com narcolepsia adormecem em menos de 8 minutos, o que fornece evidências objetivas de sua propensão ao sono.

▪ Exame de dosagem de hipocretina no liquor – pode ser útil em algumas situações, por exemplo, quando o teste da latência múltipla do sono não é conclusivo e há redução nos níveis de hipocretina no liquor (líquido que envolve o cérebro e a medula).

Narcolepsia ou apneia do sono: qual a diferença entre as doenças?

De acordo com a Dra. Marcele, “são duas condições que comprometem a qualidade do sono e causam sonolência diurna, mas há alguns aspectos clínicos bem distintos entre si. Enquanto a narcolepsia pode ser conceituada como um distúrbio do controle sono-vigília, em que elementos do sono se intrometem na vigília e elementos da vigília se intrometem no sono, resultando nas alterações já descritas: sonolência diurna crônica, cataplexia, alucinações hipnagógicas e paralisia do sono, a apneia obstrutiva do sono está relacionada com o esforço respiratório causado ​​por bloqueios repetitivos das vias aéreas superiores durante o sono, limitando a quantidade de ar que chega aos pulmões. É mais comum em homens mais velhos e está associada a fatores de risco como obesidade, tabagismo e alcoolismo. O tratamento também difere entre as entidades. A apneia obstrutiva do sono deve ser abordada com medidas comportamentais como perda de peso, atividades físicas e terapia que utiliza um aparelho que faz pressão positiva nas vias aéreas; já o tratamento da narcolepsia é dividido em medicamentoso e não medicamento e será discutido a seguir”.

A narcolepsia tem cura?

Embora a narcolepsia seja uma doença crônica, ou seja, que não tem cura, é possível tratá-la a fim de aliviar os sintomas e promover melhor sono e qualidade de vida. Com isso, evitam-se crises.

Veja, a seguir, como é realizado o tratamento.

Quais os tratamentos para a narcolepsia?

A Dra. Marcele explica que o tratamento é sintomático, visando melhorar o estado de alerta e restaurar a função durante as horas de vigília. O tratamento não medicamentoso consiste em programar cochilos diurnos e um horário de sono regular e apropriado. Para pacientes ocasionais com sintomas leves, tirar um cochilo curto e bem cronometrado no início da tarde e evitar a privação de sono à noite pode ser suficiente para uma função adequada. Já o tratamento medicamentoso é baseado em fármacos que promovem a vigília e, para aqueles que apresentam cataplexia, geralmente se associa um antidepressivo. O paciente também deve ser alertado sobre os riscos relacionados com atividades como dirigir, estar em lugares altos ou praticar determinados esportes.

Hospital Santa Paula

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