Miocardite: entenda o que é e sua relação com as vacinas contra a Covid-19

A miocardite é uma inflamação nas células do músculo do coração (miocárdio) que pode ser causada por vários motivos, entre os quais estão: infecções por vírus, bactérias, protozoários ou fungos; medicamentos; doenças autoimunes e consumo de álcool ou cocaína em excesso, entre outros. Mais recentemente, estudos concluíram que a condição pode também ocorrer como consequência da infecção pelo novo coronavírus, caxumba ou dengue, por exemplo.

Nesta edição do blog, o Dr. Fabrício Assami Borges, do Hospital Santa Paula, explica como acontece o quadro e os principais riscos. Confira!

O que é miocardite e quais suas causas?

A miocardite é uma inflamação do tecido muscular do coração que pode levar a alterações temporárias ou até mesmo permanentes do órgão. Muito mais frequente em crianças e jovens do que em adultos, na maioria das vezes, é autolimitada, com rápida e completa recuperação, mas pode levar ao enfraquecimento do coração, a distúrbios do ritmo cardíaco e até mesmo à morte. A miocardite tem inúmeras causas, entre elas: toxinas, infecções, medicamentos e distúrbios sistêmicos.

Já a pericardite é a inflamação do tecido que recobre o coração, o pericárdio. Elas – miocardite e pericardite – podem ocorrer separadamente, mas não é incomum que se manifestem simultaneamente em intensidades variáveis. Ambas têm como causas mais comuns as infecções virais, porém, as demais razões diferem bastante.

A miocardite pode ser consequência de doenças infecciosas ou não infecciosas. Entre as causas infecciosas, as patologias virais são, de longe, as mais comuns, entre elas se destacam as motivadas por coxsackie B, adenovírus (que provoca o resfriado comum), parvovírus e Sars-CoV-2, vírus que origina a Covid-19. Outros agentes infecciosos podem ser bactérias, parasitas e até mesmo fungos.

Já os fatores não infecciosos incluem:

  • certos medicamentos, como alguns quimioterápicos usados para tratamento de câncer, antibióticos, excesso de álcool e/ou drogas ilícitas como a cocaína;
  • radioterapia torácica;
  • doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico;
  • algumas vacinas, como contra varíola, influenza, hepatite B e Sars-CoV-2.

Miocardite viral

Segundo o Dr. Fabrício Assami Borges: “A principal origem infecciosa de miocardite pode ser pela agressão direta de certos vírus, pelo processo inflamatório que ele desenvolve no organismo ou a própria reação do sistema imunológico, que tenta combater o vírus e acaba agredindo o coração.”

Miocardite aguda

As principais consequências da miocardite aguda são a falência da bomba cardíaca, ou seja, a redução da capacidade do coração de bombear o sangue, e o surgimento de arritmias cardíacas.

Miocardite e vacinas Pfizer e Moderna

De acordo com o Dr. Fabrício Assami Borges, a miocardite pode ser causada pelo novo coronavírus, seja por meio da agressão direta do vírus ao tecido do coração, seja pela resposta inflamatória intensa que se dá no organismo. Ademais, está bem estabelecida a relação de quadros de miocardite em pessoas que tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19 compostas por mRNA, como as vacinas da Pfizer e Moderna. Essa complicação é bastante rara, é mais frequente em homens e em jovens e ocorre alguns dias depois da segunda dose da vacina. Os pacientes que tiveram miocardite depois de tomar a vacina tiveram rápida recuperação.

“Existem diversas publicações que mostram a relação entre essas vacinas e o aparecimento da miocardite. A frequência de relatos é variável, mas podemos afirmar que são raros os casos e a maioria deles é de leve a moderada intensidade, e mesmo os quadros mais graves têm, em geral, boa evolução e recuperação. Uma análise do risco-benefício das vacinas, publicada na revista Circulation, em agosto de 2021, mostra um grande benefício dos imunizantes, independentemente da faixa etária analisada, o que reforça a indicação da vacinação e sua segurança”, explica o médico.

Ao observar sinais que possam indicar presença de miocardite, busque atendimento médico. Confira, a seguir, os sintomas mais comuns.

Sintomas de miocardite

Os sinais da miocardite são variáveis e entre os mais comuns estão:

  • dor torácica;
  • falta de ar;
  • inchaço (edema);
  • fadiga;
  • sensação de palpitação nos batimentos cardíacos.

A miocardite pode causar morte súbita.

Segundo o Dr. Fabrício Assami Borges: “Assim como não é possível se proteger contra os vírus, de forma geral, não é possível prevenir a miocardite. Claro que, nos casos de doenças virais que têm vacinas efetivas, a imunização evita que o indivíduo tenha a doença e, consequentemente, reduz o risco de desenvolver miocardite.”

Tratamentos para a miocardite

O tratamento é variável e depende muito do quadro clínico e dos achados nos exames complementares. Pode incluir desde o uso de anti-inflamatórios até medicações específicas para insuficiência cardíaca e arritmias. Fazem parte da terapêutica algumas recomendações e cuidados, incluindo, na fase aguda, a restrição de atividades físicas, por isso é muito importante o acompanhamento de um especialista.

O Hospital Santa Paula, assim como toda a rede de laboratórios Dasa, realiza os exames indicados para o diagnóstico de miocardite/pericardite de forma rápida e com profissionais altamente treinados. A detecção da condição se baseia, inicialmente, nos sintomas e, em seguida, pode ser confirmada por meio de exames laboratoriais, eletrocardiograma e alguns exames de imagem. O mais utilizado é o ecocardiograma e, quando necessário, é solicitada uma ressonância magnética de coração, esse é o padrão ouro para avaliação inicial e acompanhamento nos casos mais complexos.

A doença tem cura?

De acordo com o Dr. Fabrício Assami Borges: “Sim, a miocardite tem cura, e, normalmente, pode sumir depois que a infecção acaba, mas quando essa inflamação do coração é grave, pode haver a necessidade de internação. Os quadros mais intensos e que necessitam de uso de medicamentos devem ter a assistência rigorosa de um cardiologista até a resolução completa da enfermidade”, esclarece o especialista.

Saiba mais sobre assuntos relacionados com o tema em:

Dor no peito

Infarto em mulheres

Insuficiência cardíaca.