Câncer do colo do útero: sintomas, diagnóstico e tratamento

Quanto mais informações sobre saúde divulgadas, maior será a conscientização acerca do cuidado que deve ser praticado diariamente em relação às doenças. Hoje, vamos falar sobre o câncer do colo do útero, também chamado de cervical. Dados mais recentes do INCA, de 2020, sugerem que o câncer de colo uterino é o 3º mais comum em mulheres no Brasil (excluindo tumores de pele não melanoma), atrás de câncer de mama e câncer de cólon. A incidência é de cerca de 15,38 casos a cada 100.000 mulheres.

O câncer do colo do útero surge a partir de uma infecção genital persistente causada pelo Papilomavírus Humano (HPV), transmitido em relações sexuais sem proteção. Apesar de na grande parte dos casos, a infecção pelo HPV não causar o câncer, alguns tipos podem provocar alterações celulares que acabam desencadeando a doença.

Nessa edição, a Dra. Anezka Ferrari, Oncologista Clínica do Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP), irá explicar o que é, quais os sintomas e como é feito o diagnóstico e tratamento da doença.

O que é o câncer do colo do útero

O Câncer do colo de útero é o tumor que nasce nas células do colo uterino, em geral em decorrência de infecção por HPV. O tumor ocorre a partir das chamadas lesões precursoras, alterações que se encontram no fundo da vagina. Essas lesões, na maior parte dos casos, podem ser tratadas e curadas.

Conforme explica a Dra. Anezka Ferrari, “é possível sua prevenção através do incentivo do uso de preservativos nas relações sexuais. Além disso, desde 2006, existe a vacinação contra o HPV, que é recomendada para jovens do sexo feminino entre 9 e 13 anos de idade”.

“Além disso, o rastreamento do câncer de colo uterino com realização de Papanicolau periodicamente permite a detecção de estágios anteriores à ocorrência do câncer de colo uterino (chamados de NIC e graduados como NIC I, NIC II e NIC III). O tratamento dos NICs permite a resolução das lesões antes de sua transformação em câncer”.

O Papanicolau também permite o diagnóstico do câncer em seu estágio precoce, permitindo maior chance de sucesso.

Como acontece a contaminação do HPV?

A transmissão do vírus se dá por meio do contato com a pele ou mucosa infectada, sendo a principal forma de contágio a relação sexual sem proteção. Isso pode acontecer tanto com penetração ou não, ou seja, contato entre genitais, oral-genital ou manual-genital. Além disso, também pode ocorrer contaminação no momento do parto.

No entanto, ainda não há comprovação da possibilidade de contaminação por meio do uso de vaso sanitário, piscina ou compartilhamento de peças de uso pessoal.

Conforme explica a Dra. Anezka Ferrari, em países em desenvolvimento, o câncer de colo uterino apresenta maior taxa de mortalidade e morbidade do que em países desenvolvidos. Isso porque a cobertura do Papanicolau é maior em países desenvolvidos. Isto se dá porque, nestes países, a maior parte das mulheres faz o seu diagnóstico em estágios muito iniciais. Já em países em desenvolvimento, existe uma maior dificuldade de acesso aos meios de prevenção (como vacina e Papanicolau periódico), com diagnósticos ocorrendo muitas vezes em estágios mais avançados.

“Desta forma, vamos estimular as consultas anuais com ginecologista para realização do exame ginecológico e o Papanicolau. E vamos estimular a vacinação de jovens de 9 a 13 anos contra a infecção por HPV”.

Que tipo de HPV pode se tornar câncer do colo do útero?

Nem todos os tipos de HPV são capazes de provocar as infecções persistentes e associadas às lesões precursoras do câncer. Contudo, cerca de 13 tipos de HPV são considerados oncogênicos. Entre os que apresentam mais alto risco são os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Quais os sintomas câncer do colo do útero?

O câncer do colo do útero em fase inicial normalmente não demonstra sinais ou sintomas. Eles podem surgir depois de longo tempo da doença e apresentar os seguintes indícios:

  • Sangramento vaginal;
  • Corrimento;
  • Dor na região pélvica;
  • Dor nas relações sexuais.

Como o aparecimento de sintomas geralmente pode indicar um estágio mais avançado da doença, é fundamental a busca imediata de um médico para a avaliação correta do quadro e seu tratamento o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do câncer do colo do útero é realizado por um médico com o auxílio dos exames:

  • exame pélvico;
  • avaliação da história clínica da paciente;
  • exame preventivo (Papanicolau);
  • exame especular do colo uterino e colposcopia;
  • biópsia.

Como é o tratamento?

O tratamento depende do estágio em que o tumor é diagnosticado. Tumores muito iniciais podem ser tratados somente com cirurgia. Em alguns casos, há indicação de tratamento complementar após a cirurgia, como quimioterapia, radioterapia e braquiterapia.

Para casos localmente avançados, que são aqueles em que o tumor é maior localmente, às vezes com acometimento de estruturas adjacentes, é priorizado tratamento definitivo com quimioterapia e radioterapia.

Já para pacientes com metástases à distância, é indicado tratamento com quimioterapia endovenosa.

De acordo com a Dra. Anezka Ferrari “o câncer de colo uterino tem cura. No entanto, é importante saber que quando mais inicial e menor for o tumor diagnosticado, maior é sua chance de cura. Enquanto que tumores menores, que são restritos ao colo uterino apresentam cerca de 80% de chance de cura, tumores mais avançados, com acometimento de linfonodos apresentam uma porcentagem bem menor. Daí a importância da realização da prevenção e realização de diagnóstico precoce”.

IOSP

O Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula (IOSP) oferece todo o suporte no tratamento do câncer, com infraestrutura, tecnologia e equipe especializada. Além disso, conta com o Centro de Infusão, localizado em um ambiente exclusivo e destinado para aplicações de medicamentos por via intravenosa, subcutânea e intramuscular e um centro de radioterapia com tecnologia de ponta apoiando o tratamento.

Para saber mais, ligue para nossa Central de Atendimento: (11) 3040-8200.