Aprenda a identificar diferentes dores de cabeça

dor de cabeca

Afinal, o que causa a dor de cabeça? Conheça 5 tipos e seus sintomas característicos

A cefaleia é uma das queixas em saúde mais frequentes, e aproximadamente 90% da população apresentará pelo menos um episódio de dor de cabeça ao longo da a vida. Esse quadro, porém, não deve ser encarado como algo simplório, uma vez que, na verdade, essa dor pode ser um sintoma de diversas doenças diferentes, entre elas sinusite bacteriana aguda, tumores, dissecção arterial e meningites. Além disso, a dor de cabeça pode ser a principal manifestação de enfermidades específicas, como a enxaqueca e as cefaleias em salvas.

“O ato de tomar remédios por conta própria visando sanar esse quadro dificilmente causará uma melhora global e, especialmente, quando se fala em cefaleias primárias, a automedicação frequente pode levar ao agravamento do problema. O papel do médico é compreender os sintomas presentes, procurar correlações entre dor e fatores ambientais e comportamentais e orientar o paciente sobre quais seriam os medicamentos mais indicados para cada caso”, destaca o Dr. Alexandre Souza Bossoni, médico neurologista do Hospital Santa Paula. Uma vez que os tratamentos para as dores de cabeça dependem das condições relatadas pelo paciente, saber em específico qual é o tipo da cefaleia pode ajudar muito na indicação da abordagem terapêutica mais adequada. Confira, a seguir, as principais possibilidades.

Enxaqueca

Essa é uma condição caracterizada por dor latejante, predominantemente unilateral, de intensidade variável, que pode ser moderada a forte, e que tende a piorar com movimentos ou esforços físicos. Geralmente está associada a náuseas e vômitos, podendo o paciente manifestar também distúrbios em relação à luz (fotofobia) e perturbações com ruídos (fonofobia). Essa forma de cefaleia é mais comum em mulheres e pode afetar todas as faixas etárias, porém geralmente se inicia na juventude e parece estar ligada à predisposição familiar.

Estudos apontam que a enxaqueca é uma das principais causas de incapacidade no mundo, quando se trata do segmento jovem da população, pois afeta negativamente as atividades diárias de quem sofre com ela. Normalmente, permanecer deitado, em repouso absoluto e em um ambiente escuro e silencioso por algumas horas costuma ajudar no retorno ao estado normal. Pessoas que sofrem muitas crises de enxaqueca podem conseguir reduzir essa frequência com auxílio e acompanhamento médico, por meio de tratamento farmacológico e a orientação de determinadas “regras comportamentais”, visando evitar todos os fatores que predispõem ou facilitam o início de uma crise. Apesar disso, ainda não é possível eliminar completamente as possibilidades dessa ocorrência.

Cefaleia do tipo tensão

Também chamada de cefaleia tensional, é a forma mais comum de dor de cabeça, sendo responsável por quase 90% dos casos e afetando um grande número de pessoas. A cefaleia de tensão é caracterizada por uma dor generalizada que, muitas vezes, não chega a ser extremamente intensa e pode ser descrita como uma sensação de “forte tensão muscular ao redor da cabeça”. Embora não seja considerado um problema grave inicialmente, o quadro pode limitar a qualidade de vida do paciente, pois uma das manifestações mais típicas é a dificuldade de concentração, fora todo o incômodo, que se traduz em redução da produtividade.

Às vezes, esse tipo de dor de cabeça ocorre diante de um forte estresse emocional ou por causa de um “pico” de adrenalina, entre outros mediadores bioquímicos produzidos pelo corpo quando ele está sob tensão. Alguns estudos sugerem ainda que os problemas cervicais podem estar associados a pacientes com cefaleia tensional ou são mais frequentes nesses indivíduos. Ou seja, tenha atenção redobrada com a sua posição de trabalho no dia a dia – esteja confortável e com uma postura correta, pois isso pode influenciar e muito sua saúde!

Cefaleia em salvas

As crises que caracterizam a cefaleia em salvas são particularmente dolorosas e de intensidade severa, sendo estritamente unilaterais e com duração entre 15 e 180 minutos. É a forma mais grave de dor de cabeça e, felizmente, também a mais rara. Normalmente é acompanhada por lacrimejamento do olho no lado afetado, pálpebra inchada ou “caída”, congestão nasal e/ou nariz escorrendo, sudorese e vermelhidão facial. O paciente também fica inquieto, incapaz de se controlar ou ficar parado.

As causas que dão origem à cefaleia em salvas ainda não são plenamente conhecidas, mas, de acordo com vários estudos, o mau funcionamento do hipotálamo pode desempenhar um papel importante nessa patologia. Os períodos em que ocorre a cefaleia em salvas têm duração variável, de semanas a alguns meses. Eles são seguidos por fases de remissão, nas quais a dor de cabeça está ausente, que podem durar de alguns meses a vários anos, antes que as crises ocorram novamente. A ingestão de certos medicamentos pode ajudar a prevenir ou mitigar o início de uma nova série de crises, e esse cuidado deve começar o mais rápido possível após uma ocorrência do tipo, sendo supervisionado e prescrito por um neurologista.

Dor de cabeça de sinusite aguda

A sinusite é uma infecção bacteriana da mucosa que reveste os seios da face. Ela pode ocorrer depois de infecções virais ou espontaneamente e com frequência está associada ao acúmulo de secreção nos seios da face. Além da dor de cabeça de sinusite, o paciente também apresenta febre e saída de secreção com pus das narinas. Assim, uma dor latejante nos olhos e atrás da testa surge por causa da pressão criada na parte superior da cabeça.

Dor de cabeça depois de atividades físicas

Se você já sentiu uma dor repentina na cabeça durante um esforço ou se tem episódios frequentes de dor de cabeça ao fazer exercícios, então você provavelmente sofre da chamada cefaleia do esforço. Existem algumas possíveis causas para esse problema. A tese mais provável é que a dilatação dos vasos sanguíneos dentro do crânio, que ocorre após exercícios particularmente longos e intensos, desencadeia uma dor latejante em ambos os lados da cabeça.

Por outro lado, as dores de cabeça esportivas também podem derivar de uma rigidez muscular no pescoço, que pode ser evitada, liberando a tensão desses músculos, por meio de um bom aquecimento antes do treino.

Outros estudiosos indicam que a realização de exercícios físicos muito intensos aumenta o fluxo sanguíneo nos vasos, essencial para a alimentação dos órgãos e músculos submetidos ao esforço. No entanto, se essa pessoa não ingere uma quantidade suficiente de água, o volume no interior dos vasos diminui e o escoamento do sangue fica mais difícil, principalmente para a cabeça, que já é dificultado pela gravidade. Para evitar esse tipo de cefaleia, portanto, é fundamental se hidratar antes, durante e após a prática de esportes ou musculação.

Quando você deve visitar um neurologista

Uma cefaleia de início recente e o aumento da frequência e da intensidade das dores de cabeça, especialmente se associadas a outros sintomas, são alguns dos motivos que devem levar o paciente a consultar um neurologista experiente no tratamento desse tipo de patologia.

O Dr. Alexandre Souza Bossoni ressalta que o Instituto de Neurologia Santa Paula possui ambulatórios especializados no atendimento da cefaleia, com médicos treinados e aptos a reconhecer tratar os diferentes padrões de dor de cabeça. “Além das consultas com experts, esse espaço possui, no pronto atendimento, um serviço para casos de urgência e emergência neurológica. Contamos ainda com uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neurológica composta por especialistas em qualquer tipo de doença do gênero”, finaliza o neurologista do Hospital Santa Paula.

Fonte: Dr. Alexandre Souza Bossoni, médico neurologista do Hospital Santa Paula.