A relação entre a obesidade e a Covid-19

A obesidade é um dos principais fatores de risco para o novo coronavírus e merece atenção

Diante da atual pandemia, fomos condicionados a instituir novas rotinas, o que resultou em alterações nos mais diversos padrões da vida cotidiana. Com o tempo extra em casa e as inquietações características do período, muitas pessoas acabam procurando “conforto” em alimentos pouco saudáveis, como doces e frituras. Também é comum que haja uma mudança nos padrões de consumo, uma vez que muitos passam a priorizar a praticidade e investem em congelados, industrializados e embutidos. Além disso, o processo de quarentena, embora indispensável neste momento, faz com que a atividade física fique limitada, o que tem impacto direto na falta de mobilidade diária. A combinação desses fatores, quando persistidos por um longo período, pode resultar em ganho de peso e contribuir para o aumento das taxas de obesidade do país.

Fragilidade ante a Covid-19

Essa questão não está ligada tão somente ao aspecto estético e de autoestima, mas temos que ter em mente que um dos principais fatores de risco na população abaixo de 60 anos é a obesidade.

De acordo com o Dr. Moacyr Campos, gerente médico do Hospital Santa Paula, pelo fato de a Covid-19 ter um componente respiratório importante, a situação dos pacientes com obesidade se agrava. “Isso porque, por consequência do acúmulo de gordura em torno dos órgãos abdominais, o movimento do diafragma fica dificultado, reduzindo a expansão e a capacidade do pulmão durante a inspiração, o que agrava a insuficiência respiratória”, explica.

Desafios durante o isolamento social

Na opinião do Dr. Moacyr, “no caso das pessoas que estão acima do peso, pode ocorrer aumento da ansiedade e, muitas das vezes, a válvula de escape acaba sendo a comida. Mas o médico ressalta que o estresse, característico do momento, pode ser aliviado com medidas simples como atividades físicas regulares, muitas vezes orientadas por aplicativos ou videoconferência”.

Saúde em primeiro plano

A obesidade atinge um em cada cinco brasileiros, de acordo com dados da pesquisa publicada em 2019 da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), mas nunca é tarde para lutar contra essa estatística. “O mais importante é assumir que algo não vai bem. Verifique se é possível resolver somente com dieta e atividades físicas e, caso não seja, procure auxílio médico para uma melhor orientação sobre os próximos passos”, afirma o médico do Hospital Santa Paula.

Neste momento, existem algumas alternativas que podem ajudar. Por exemplo, aproveite o período caseiro para investir em novas receitas saudáveis. O médico aconselha as famílias a optarem por refeições cozidas no lugar das fritas, que ajudam a manter os nutrientes dos alimentos, e que seja oferecida às crianças água no lugar de refrigerantes e sucos industrializados, principalmente nessa fase, em que elas costumam passar muito tempo ao computador e ao celular e podem, por isso, ser alvo fácil de publicidade de produtos menos saudáveis.

Ressaltamos que a automedicação ou a adoção de dietas restritivas extremas não são medidas recomendadas por nenhum profissional da saúde! O efeito sanfona observado em algumas pessoas é decorrente da falta de um correto acompanhamento multiprofissional, em que o paciente apresenta ciclos de emagrecimento importantes – muitas vezes por uso, sem orientação médica, de medicamento controlado –, mas com ganho de peso acima do anterior ao uso do remédio.

Em alguns casos, o tratamento para o quadro de obesidade também pode se dar por meio de uma cirurgia bariátrica, o que promove a redução do tamanho do estômago e, como consequência, favorece uma rápida saciedade. “Há uma equipe multidisciplinar responsável para orientar o paciente nessa decisão e acompanhar o tratamento”, pontua o Dr. Moacyr. Essa cirurgia pode, ainda, trazer outras vantagens, como a diminuição do uso de remédios e o controle do diabetes e da hipertensão arterial.

Se houver necessidade de realização da cirurgia bariátrica, ressaltamos que o Hospital Santa Paula está pronto para atender você com segurança. Desenvolvemos fluxos distintos para que os pacientes com sintomas respiratórios sejam atendidos separadamente dos outros visitantes, reduzindo, dessa forma, a exposição e o risco de contágio de todos os envolvidos.

Fonte: Dr. Moacyr Campos, gerente médico do Hospital Santa Paula.