Toxina Botulínica

A toxína botulínica é a forma estéril, purificada, da substancia produzida pelo clostridium botulinum. É mesma substancia e microorganismo envolvidos no Botulismo. Essa é uma doença rara que ocorre pela intoxicação com esse miocroorganismo por meio de alimentos, enlatados mal preservados, principalmente, ou feridas contaminadas.

Os sintomas da doença sano decorrentes principalmente da fraqueza muscular, pois a toxínica botulínica bloqueia a comunicação entre os nervos e nos músculos, desse modo, a informação nervosa que comanda a contração muscular não passa dos nervos para o músculo adequadamente. Esses sintomas podem ser fraqueza muscular, queda das pálpebras, dificuldade de engolir e respirar, visão borrada e dupla, paralisias dos membros, entre outros.

A partir desses sintomas veio a idéia de usar essa substância, a toxina botulínica, para o tratamento de doença nas quais existe atividades muscular em excesso, ou naquelas em que existe um desbalanço, um desequilíbrio entre a atividades dos diferentes grupos musculares do corpo. Ela pode ser usada também para o tratamento de Enxaqueca crônica, mas isso será motivo de um post exclusivo.

O uso mais famoso e difundido da toxina botulínica é o estético. A substancia é usada pelos médicos Dermatologistas e Cirurgiões Plásticos para paralisar ou reduzir a ação dos músculos da face, por exemplo, fazendo com que esses se movimentem menos, e portanto façam menos pregas na pele, ou seja, reduzem as rugas na pele. Entretanto esse não é o único uso da toxina.

Oftalmologistas podem usar a toxina para o tratamento de tipos de estrabismo, que é o nome dado quando há algum desvio dos olhos. Urologistas podem usa-la para tratamento de problemas na bexiga urinária decorrentes de doenças neurológicas e na medula espinhal.

Mas, e na neurologia, para que usamos a toxina botulínica?

Usamos para muitas coisas.

O primeiro e mais frequente uso em neurologia é para o tratamento da Espasticidade. Essa é uma condição que aparece em diversas doenças neurológicas. É caracterizada por aumento do tônus muscular, o músculo funciona em excesso, ficando mais rígido que o normal. Quando mais grave o sintomas, maior é a dificuldade em usar o membro acometido, além de causar dor e deformação do referido membro. Além a toxina botulínica, a espasticidade deve ser tratada com fisioterapia, medicações tomadas por boca. Casos mais graves podem necessitar procedimentos cirúrgicos.

O outro uso muito frequente da toxina é no tratamento das Distonias. O nome Distonia agrega um conjunto de doenças que são marcadas por contrações anormais da musculatura, mantidas ou intermitentes, causando posturas anormais, em geral de torção do segmento acometido. A condição pode ser deformante e dolorosa, mas não em todos os casos. Pode acometer o corpo todo (generalizadas) ou apenas um segmento do corpo )focais. O melhor tratamento inicial para as Distonias focais é a aplicação de toxina botulínica, pois a toxina vai justamente bloquear essa ativação anormal da musculatura.

Quando o pescoço é acometido, damos o nome de Distonia Cervical. Porém podemos ter distonia no braço (cãibra do escrivão, por exemplo), na musculatura dos olhos (Blefaroespasmo – causando piscamentos involuntários e até fechamento involuntários dos olhos) ou Espasmo Hemifacial (quando ocorre contração da musculatura de uma metade do rosto). Todas essas condições são tratadas com o uso da toxina botulínica.

O efeito da toxina de paralisar a musculatura dura aproximadamente de 4 a a 6 meses, no máximo. Após isso a toxina perde seu efeito, sendo necessário reaplicação. A aplicação é feita com uma agulha, nos músculo que devem ser tratados.

É importante dizer aqui que não existe uma dose igual para todo mundo de toxina. A dose vai variar de pessoa para pessoa, mudando conforme a necessidade e a doença do paciente. Na primeira consulta com o especialista na aplicação de toxina botulínica, o paciente será examinado e informado se a situação dele deve ou não ser tratada com a toxina. Nessa consulta é feita uma programação, ou seja, vamos programar qual a dose a ser aplicada em cada musculo.

Após a aplicação, o efeito não é imediato! Ele demora até 15 dias para aparecer. Após esse período, é importante o paciente ser reavaliado para uma avaliação cuidadosa que como foi a resposta INDIVIDUAL a toxina. Isso é muito importante para programar as próximas aplicações. Se uma pessoa é muito sensível, a próxima dose pode ser reduzida; se for resistente, a próxima dose pode ser aumentada.

A toxina é muito útil! Porém o tratamento só dará certo se houver uma grande cooperação entre o médico e o paciente, trocando informações, para podermos chegar na dose ideal para cada pessoa, em cada momento da sua vida.

Informe-se. Procure seu médico!!!