Epilepsia

Ataque, ataque epiléptico, convulsão, epilepsia, crise convulsiva… Várias são as palavras e também várias são as doenças. O que elas tem em comum são o impacto no dia a dia da pessoa com epilepsia e da sua família, o turbilhão de dúvidas e angustias que essa condição trás, além do estigma relacionado.

Porém, o que é epilepsia? Que doença é essa? Porque eu, um parente ou conhecido meu, tem crises convulsivas e todos os exames estão normais? O que afinal está acontecendo comigo/ com ele?

Para começar essa discussão, aviso que todo dia 26 de março, anualmente, é comemorado o Purple Day, Dia Roxo em Português. Essa é a data mundial para conscientização sobre Epilepsia. Essa comemoração começou no em 2008 na Escócia, chegando ao Brasil em 2011, mas ativamente. O objetivo é mostrar para todos, pessoas com epilepsia e seus familiares, que não há motivo para se sentirem sozinhas, e chamar a atenção de toda a sociedade sobre essa condição, levando informação e combatendo o preconceito a ela relacionada.

O que é Epilepsia?

Simplificando é a ocorrência espontânea de crises epilépticas! Para dizermos que alguém tem epilepsia, deve haver duas ou mais crises no mínimo, isso porque de 5% a 10% da população saudável pode uma uma crises no decorrer de toda a vida, e isso não significa epilepsia. A Epilepsia não é uma doença propriamente dita. Quando dizemos que alguém tem epilepsia, estamos dizendo apenas que essa pessoa tem crises convulsivas, ou epilépticas, de forma recorrente. No mundo aproximadamente 1% a 2% da população mundial tem epilepsia.

O que é uma crise epiléptica?

A crise epiléptica é a manifestação clínica (que a gente vê ou que a paciente sente e nos relata) transitória (tem início e fim determinados) causadas pelo funcionamento anormal de um grupo de neurônios do cérebro ou do cérebro todo. Existem diversos tipos diferentes de crises epiléticas, inclusive alguns tipos bem sutis. As crises mais conhecidas pela população são as Tônico-Clônicas Generalizadas, e as Focais com Comprometimento da Consciência que evoluem para crise convulsiva bilateral. Essas são as crises em que a pessoa fica desacordada, cai no chão e se debate. Conduto, esse é apenas UM dos tipos de crises epilépticas.

Agora já sabemos que é uma crises epiléptica, sabemos que existem vários tipos diferentes de crises e a Epilepsia em si não é uma doença. Vamos falar agora das causas.

Uma pessoa pode ter Epilepsia por diversos motivos. As possíveis causas são predisposição genética, tumores, infecções, mal formações, sequelas de traumas graves dentre outras. Quando ocorrer uma crises convulsiva um médico neurologista deverá ser consultado para uma avaliação inicial, para tentar determinar a causa específica dessas crises e então direcionar o tratamento. Diferentes tipos de crises convulsivas com diferentes padrões de atividades elétrica cerebral (documentada no Eletrencefalograma) tem resposta diferente as medicações disponíveis, tentar identificar adequadamente esse padrões faz parte do tratamento.

Mas eu fiz todos os exames, todos vieram normais! O que eu tenho?

O diagnóstico de Epilepsia é clínico, ou seja, se correrem eventos epilépticos de repetição o paciente tem o diagnostico de epilepsia. A normalidades dos exames não significa ausência de anormalidade, significa limitação da nossa tecnologia. Há 50 anos, uma parcela muito maior dos paciente não tinha a causa específica da epilepsia diagnosticada! Hoje essa parcela é menor pelo simples avanço da tecnologia.

Sabendo o tipo de crise que o paciente tem e após termos uma avaliação inicial adequada, o próximo passo é iniciar o uso de uma medicação que reduza o risco de ocorrência no futuro de novas crises. Nosso objetivo máximo é uma vida sem crises, e para isso temos a disposição diversas medicações no mercado, que devem ser escolhidas conforme o tipo de crise, tipo de epilepsia, o perfil do paciente e o perfil de funcionamento e efeitos colaterais das medicações. Epilepsias mais graves podem necessitar do uso concomitante de duas ou mais medicações. As doses das medicações são ajustadas conforme a necessidade do paciente e ao longo do tempo. Em 2015, no Brasil, foram lançadas duas novas medicações para o controle de crises epilépticas. Essas medicações já estavam em uso em outros países, no Brasil era possível usar apenas mediante importação, entretanto a partir desse ano estão disponíveis no mercado nacional

Há outros aspectos sobre a epilepsia que gostara de abordar, mas serão motivos para publicações futuras. O assumo é amplo e as informações a serem passadas são diversas.

Nos acompanhem !