Em tempos de fake news, é preciso aprender como consumir conteúdo

Em entrevista, Dr. Otavio Gebara, diretor clínico do Hospital Santa Paula, fala sobre as Fake News.

Todos os dias milhares de usuários buscam na internet possíveis soluções para seus problemas de saúde. E ofertas não faltam: experimente digitar “dor de cabeça” no Google para deparar-se com mais de 67 milhões de resultados.

Mas o que pode ser um baita adianto para os internautas também pode, por outro lado, atrai-los para a armadilha das fake news – com a velocidade da era digital, notícias circulam a todo vapor e abrem espaço para a proliferação de informações falsas, que colocam a saúde em risco.

E é por esse motivo que checar a veracidade do conteúdo propagado se torna um hábito cada vez mais necessário: o site acessado tem credibilidade? E as fontes consultadas, são confiáveis? Há alguma comprovação científica para o tema abordado? Essas são algumas das perguntas que o leitor deve começar a fazer antes de tomar qualquer verdade como absoluta e compartilhar inverdades perigosas.

“A internet é uma excelente fonte de conhecimento para entender doenças e seus sintomas. A questão é saber procurar no lugar certo”, acredita Otavio Gebara, diretor clínico do Hospital Santa Paula. Para melhor lidar com a avalanche de informações que cercam a web, listamos o que você deve levar em conta antes de ler um artigo de saúde:

1. Cuidado com o autodiagnóstico
Um levantamento feito pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) em 2016 revelou que 40% dos brasileiros que tomam remédio por conta própria têm também o hábito de se autodiagnosticar pela internet. O resultado é preocupante, já que esse costume pode trazer sérios prejuízos para a saúde. O autodiagnóstico inadequado pode fazer com que as pessoas tomem medicamentos que, além de não ajudar no tratamento, podem causar complicações como gastrites, reações alérgicas a medicamentos, aumento de resistência de microrganismos e dependência.

“Além disso, a ação do medicamento pode variar de acordo com as particularidades genéticas de cada pessoa, quantidade de gordura do organismo e massa corporal total”, afirma o clínico geral Eduardo Finger. Leia mais em Especialistas tiram 6 dúvidas sobre automedicação.

Por outro lado, existem remédios que oferecem menor margem de risco quando consumidos por indivíduos já avaliados. Se uma febre não tão alta, cólica ou resfriado atacarem repentinamente, por exemplo, é ok recorrer aos antitérmicos e analgésicos. O perigo mora na persistência dos sintomas: “Caso se repitam ao longo da semana, por meses ou anos, precisam ser investigados por um médico”, alerta Otavio.

2. O que funciona para seu amigo não necessariamente funciona para você
Por mais que ele tenha jurado de pés juntos que determinado tratamento foi tiro e queda, é preciso compreender que nem todos os remédios causam o mesmo efeito nas pessoas e cada caso deve ser avaliado individualmente, afinal, o corpo humano é único e reage de formas diferentes. Muitas vezes, seu problema sequer é o mesmo que o do seu amigo – e o uso indevido do medicamento pode causar intoxicações que, no pior dos cenários, leva à óbito.

Um dos fatores que podem contribuir para fatalidades como essa são as interações medicamentosas. Sem conhecer os riscos, há quem misture diversos remédios – e essa combinação pode ser bastante maléfica para a saúde, potencializando efeitos colaterais.

E, mesmo que o tratamento não seja medicamentoso, não há garantias de que ele funcionará 100% para você ou para tratar o seu problema. Por isso é essencial pesquisar a respeito e, se necessário, validar com um profissional de saúde.

Importante lembrar, no entanto, que hábitos saudáveis como manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios e reduzir vícios como álcool e cigarro fazem bem para todos nós, então nesse caso vale copiar do amigo, tá certo?

3. Desconfie de soluções muito simples
Nem sempre as promessas milagrosas que pipocam na web são verdadeiras. As dietas da moda, que sugerem perda de peso em tempo recorde, são um bom exemplo: “Elas podem até emagrecer, mas, como ninguém consegue manter a monotonia alimentar, a pessoa acaba engordando novamente”, justifica a nutricionista Keli Coutinho. É o famoso efeito sanfona. Além disso, esses regimes costumam ser restritivos ao excluir certos grupos alimentares das refeições diárias, levando a deficiências nutricionais quando seguidos por conta própria.

Por mais que queiramos acreditar em soluções rápidas como essa, é fundamental confrontá-las com outras fontes de informações. Antes de acreditar em uma solução, frisa Otávio, é preciso validá-la com estudos científicos e informações de órgãos responsáveis, como Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e Anvisa. Sempre leia tudo o que puder sobre um assunto e procure confirmar as informações com um profissional de saúde.

4. Não se desespere
Calma! Sua dor de cabeça não necessariamente indica tumor no cérebro – tampouco um simples enjoo confirma gravidez. Fuja de verdades absolutas divulgadas na web e entenda que, muito antes de bater o martelo para qualquer diagnóstico, é preciso observar e levar em consideração seu próprio histórico. Se as suas crises de enxaqueca já foram previamente diagnosticadas, não há porque entrar em pânico quando um novo estudo sugerir que a cefaleia está ligada ao câncer cerebral, por exemplo.

O problema, como citado no primeiro tópico, é a persistência dos sintomas ou qualquer mudança nos sintomas existentes. Nesses casos, vale buscar ajuda médica. Mas tenha em mente que nem sempre pode ser algo tão grave, combinado?

5. Consulte o médico
A opinião de um especialista é a mais sincera e ponderada sobre quaisquer assuntos que envolvam saúde – logo, é insubstituível! Ainda assim, Otavio não encara o Dr. Google como ameaça para os médicos. Pelo contrário: “Se o paciente chega na consulta com alguma dúvida ou informação que leu na internet, a consulta é mais rica, um ponto de partida para uma discussão esclarecedora”, comenta.

Antes de sair de casa, monte uma lista de dúvidas para não deixar nada escapar. E, durante a consulta, procure detalhar ao máximo seus sintomas: quando começaram, como são, o que pode piorá-lo etc. Também não esqueça de listar os medicamentos que você eventualmente toma, além de conhecer o seu histórico familiar. Todas essas informações ajudarão – e muito! – no seu diagnóstico.

Fonte: http://hsmaria.com.br/noticias/5-fatos-que-voce-precisa-saber-antes-de-ler-um-artigo-de-saude-na-internet,46438 
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