Deixe o medo de lado: sexo após infarto é bom e faz bem

Nas cenas de filmes, novelas e seriados acontece bastante. Bem na hora do sexo, o homem tem um infarto. Na vida real, embora possa acontecer, é bem mais raro. Um estudo feito nos Estados Unidos e publicado em dezembro do ano passado no Journal of American College of Cardiology mostrou que só 0,7% dos casos de parada cardíaca súbita acontecem durante a atividade sexual.

Se o infarto nesses casos é raro, o mesmo não se pode dizer do medo de que ele aconteça. Tanto homens quanto mulheres que já tiveram algum episódio do tipo –ou que se relacionam com um parceiro ou parceira que já– têm receio de retomar a vida sexual. Isso poderia ser melhor administrado se o assunto não fosse ainda uma espécie de tabu para os pacientes.

Um estudo realizado pela Universidade de Chicago e publicado no jornal da American Heart Association (Associação Americana do Coração, em português) mostrou que maioria das 17 mulheres analisadas retomou a vida sexual após o infarto, porém sentiam medo de ter alguma intercorrência durante o ato. As participantes do estudo tinham mais de 60 anos, estavam em relacionamentos estáveis e reclamam que os médicos não passaram informação específica se elas poderiam retomar à atividade sexual. Elas relataram que falar sobre o tema partiu delas.

“Há muitos mitos sobre o esforço físico envolvido na atividade sexual. A verdade é que não é tanto, o esforço pré-orgasmo ou durante o orgasmo equivale ao que fazemos quando caminhamos em terreno plano a uma velocidade de 3 a 6 quilômetros por hora”, explica Roberto Kalil Filho, cardiologista e presidente do conselho diretor do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo). “É uma obrigação do médico falar sobre isso, já que muitos pacientes não perguntam ou preferem tirar outras dúvidas na hora da consulta”, diz.

O empresário Renato*, 65 anos, teve um infarto em 2012, quando tinha 60, e conta que falar abertamente sobre tudo com o seu médico o ajudou muito. “Meu infarto foi leve, sem grandes danos ao coração, e meu médico recomendou atividade física gradual desde que saí da UTI. Permitiu sexo após três semanas e eu me senti confiante para retomar a vida normal sem nenhum estresse ou dificuldade”, diz.

Assim como o infarto pode ocorrer em mulheres ou homens e em qualquer idade (embora mais comum em pessoas mais velhas, homens e com fatores de risco como diabetes, colesterol alto e obesidade), os cuidados não mudam. “As recomendações são as mesmas, a retomada da atividade física também é igual para ambos os sexos, o que interfere mais é a extensão e comprometimento do coração”, diz Otavio Gebara, cardiologista e diretor médico do Hospital Santa Paula, de São Paulo. Para casos mais simples, cerca de sete a dez dias de repouso são suficientes antes de voltar aos poucos ao ritmo de vida normal. Para os casos mais complexos, recomenda-se esperar 30 dias.

Quando se fala em sexo, os especialistas afirmam que os problemas que podem atrapalhar são muito mais psicológicos do que físicos. “A pessoa ou o parceiro ficam com receio e a cabeça pode, sim, prejudicar o desempenho, mas é importante dizer que não há influência direta do infarto na ereção ou impotência nos homens, na lubrificação nas mulheres ou na fertilidade em nenhum dos dois. E os medicamentos, em geral, não influenciam também, mas é sempre importante tirar as dúvidas com o médico”, explica Gebara.

Independentemente da idade, o suporte do especialista dá tranquilidade para o paciente. Quando teve um infarto aos 34 anos de idade, dois anos atrás, o designer Ian Silva não perguntou sobre sexo. “Eu estava solteiro e nem passava pela minha cabeça, queria mesmo saber quando poderia fazer as coisas do dia a dia, pois minha família não me deixava fazer nada. Mas, na primeira consulta depois da alta, o médico mesmo falou e acho que isso me deixou tranquilo quando fui transar de novo”, diz ele, que conta que nada mudou nesse aspecto.

Por fim, vale lembrar que os sinais de alerta de um infarto são: se der dor no peito, sensação de cansaço ou falta de ar, procure atendimento médico. Não importa se isso ocorrer na hora do sexo ou depois de subir dois lances de escada.

Fonte: https://vivabem.uol.com.br/noticias/redacao/2018/03/20/deixe-o-medo-de-lado-sexo-apos-infarto-e-bom-e-faz-bem.htm